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Usado para reforçar o ódio: O distorcido Natal da Alemanha nazista

A data comemorativa tinha uma atmosfera bem diferente durante o período

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 25/12/2021, às 09h00

Fotografia de decorações natalinas antigas trazendo suásticas
Fotografia de decorações natalinas antigas trazendo suásticas - Divulgação/ Joe Perry

A comemoração natalina tinha características inusitadas, para dizer o mínimo, na Alemanha de Adolf Hitler. Enquanto a data comemorativa é associada hoje com o fortalecimento de laços familiares e prática da caridade, o nazismo a usava para reforçar crenças antissemitas. 

O discurso do Führer em 25 de dezembro de 1921, o primeiro Natal em que esteve no cargo, trás uma das demonstrações iniciais dessa mentalidade distorcida.

De acordo com informações repercutidas por um artigo do site Planeta, o líder nazista prometeu não descansar até que os "judeus covardes" estivessem "espatifados no chão" por "destruir o libertador mundial da cruz". 

Durante a evolução do regime, porém, a própria figura de Jesus Cristo, que, afinal de contas, era judeu, passou a ser condenada.

Organização de evento de caridade em que o governo nazista distribuiu presentes durante o Natal / Crédito: Domínio Público

 

Era uma tarefa difícil, uma vez que os alemães possuíam uma forte tradição cristã. Porém, aos poucos, o governo nazista foi capaz de substituir as características típicas do Natal por outras mais alinhadas com sua ideologia, em que celebrar um judeu como salvador da humanidade seria impensável. 

Temática nazista e ariana

Para enfraquecer a simbologia de origem judaica da data comemorativa, as autoridades alemãs da época fizeram um resgate de tradições pagãs germânicas, como a celebração do solstício de inverno, fenômeno astronômico que, no Hemisfério Norte, ocorre no dia 21 de dezembro. 

Houve inclusive um encorajamento por parte do governo nazista para que a população alemã mudasse a comemoração para o dia 21, em vez do 25, conforme repercutido por uma publicação do The Conversation, em 2015. 

As adaptações prosseguiram: o foco em Jesus, por exemplo, mudou para a figura do "menino solar", que era um personagem mítico germânico que renasceria das cinzas após o fim de cada inverno. 

Os ornamentos típicos da data, por sua vez, passaram a incluir suásticas, raios solares e águias douradas, consideradas mais condizentes com a cultura ariana. Já as decorações incluindo estrelas começaram a ser evitadas, até por serem muito semelhantes ao símbolo do judaísmo. 

A imersão na temática nazista também se estendeu para as canções e comidas típicas da celebração. Biscoitos de suásticas se tornaram comuns, e, de forma curiosa, o governo do período lançou sua própria versão da clássica música "Noite Feliz". A releitura possuía alterações para que homenageasse Adolf Hitler, e não Jesus

Montagem mostrando selo natalino nazista (à esquerda) e partitura da Noite Feliz nazista (à direita) / Crédito: Divulgação/ Joe Perry/ Arquivo Pessoal

 

"Tudo é calmo, tudo é esplendido / Apenas o Chanceler fica em guarda / O futuro da Alemanha para vigiar e proteger / Guiando nossa nação certamente", dizia a nova letra, de acordo com informações da BBC. 

O resultado final de todas essas mudanças era um Natal despido de seu antigo contexto religioso, em que, em vez disso, eram exaltados os "valores arianos" e a nação alemã. De repente, a maneira como cada família decidia comemorar passou a carregar significados relativos aos seus posicionamentos. 

Decisões aparentemente banais como cantar uma determinada música no coral de Natal ou assar um determinado biscoito se tornaram ou um ato de oposição política ou uma expressão de apoio ao nazismo”, explicou o historiador Joe Perry no site The Conversation. 

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