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Vale Tudo: A vida de excessos de Tim Maia

Um dos nomes mais talentosos do Brasil não economizava com comida, amava uísque e teve uma vida íntima conturbada

Caio Tortamano Publicado em 26/04/2020, às 10h18

Tim Maia, cantor e compositor brasileiro
Tim Maia, cantor e compositor brasileiro - Divulgação

Nascido na Tijuca em 28 de setembro de 1942, Sebastião Maia sempre teve a arte consigo: desde os 7 anos de idade compunha canções e tocava para sua família. Com apenas 14 anos formou seu primeiro conjunto musical, Os Tijucanos do Ritmo, que tocavam na igreja do bairro.

A primeira vez que ganhou notoriedade foi com o seu grupo Os Sputniks, formado por Tião, Roberto Carlos, Arlênio Lívio, Edson Trindade e Wellington Trindade. Todavia, a banda sobreviveu somente a uma apresentação televisiva, e Tião passou a ser chamado de Tim Maia.

Depois da morte de seu pai, em 1959, Tim foi para os Estados Unidos, obstinado a conhecer mais sobre televisão e cinema, e ficou na casa de uma família amiga em Tarrytown, no estado de Nova York. Na "terra da oportunidade", deixou um pouco o ritmo brasileiro de lado e mergulhou de cabeça na soul music, que viria a marcar seu estilo no Brasil.

Também teve que fazer diferentes trabalhos para se sustentar, então entregou pizzas, foi zelador, trabalhou em asilos e lanchonetes. Todavia, suas ambições aumentaram, e o artista se mudou para Nova York, mas ficou apenas dois anos no local, quando decidiu embarcar com outros três amigos que havia feito em uma ilegal aventura.

Em um carro roubado, viajaram até a Flórida se sustentando com pequenos furtos. Chegando em Daytona Beach, Tim e os outros rapazes foram presos por porte de maconha — Maia teve sua primeira experiência com a droga ao lado das novas amizades. A prisão decretou o fim de sua jornada americana, que o fez voltar para o Brasil.

Trabalhando em uma produtora, Tim compôs músicas para Erasmo Carlos e Roberto Carlos, e preferia o trabalho que resultava numa exposição menor, muito pela sua aparência, que acreditava não ser apelativa como a dos galãs Tremendão e Rei.

Depois de um tempo, decidiu que seu lugar era fazendo sucesso, e apostou na carreira solo, que teve um ótimo início em 1970, após o lançamento de seu primeiro LP, Tim Maia.

O cantor ficou seis semanas seguidas em primeiro lugar na sua terra natal graças a estreia, e com isso lançou os álbuns Tim Maia Volume II, Tim Maia Volume  III e  Tim Maia Volume IV.

O lado B da fama

Todavia, a fama támbem revela o lado B de todo artista. Assim, seus problemas pessoais passaram a ganhar manchetes. Acostumado com uma vida simples, o dinheiro permitiu que Tim pudesse degustar literalmente o que quisesse a qualquer momento, e o cantor tinha uma fome descomunal.

O artista / Crédito: Divulgação

 

Com isso, o carioca começou a ganhar muito peso, tendo atingido medidas acima do que era considerável saudável ao longo de sua vida, tendo pesado por volta de 150 kg no auge.

Certa vez, se internou em uma clínica de reabilitação para tentar resolver o problema de alimentação compulsória, mas não durou muito tempo. Fugiu do lugar dentro de um caminhão de leite, e foi direto para a Churrascaria Carreta, em Ipanema

Além da comida, Tim Maia era adepto de outros hábitos que não contribuíram para sua saúde, bebia muito e usava drogas. Seu drinque preferido era uísque, e a droga que mais consumia era maconha. Isso não impediu, entretanto, que fosse também usuário de cocaína por um bom período de tempo — assim como outros tantos artistas da época.

Os excessos acabaram virando parte essencial da persona do cantor, que compunha em alusão a muitas das coisas que consumia, e animava os shows pedindo seus baurets (apelido criado por ele para os cigarros de maconha).

Tudo isso teve uma trégua no período da Imunização Racional, uma seita que Tim começou a seguir depois de conhecer o líder da filosofia, Manoel Jacintho. Os integrantes do movimento se vestiam apenas de branco, não comiam carne, não fumavam, nem bebiam e não usavam drogas, basicamente tudo que o cantor gostava de fazer.

Tim Maia em uma das apresentações de sua fase racional / Crédito: Divulgação

 

Depois de dois meses e dois icônicos e históricos álbuns gravados com a temática do Universo em Desencanto, Tim simplesmente decidiu que aquela vida não era para ele, e acusou Jacintho de ser um charlatão e um “comedor”, que usava da doutrina para iludir mulheres.

Relacionamentos

Maia teve diversas mulheres ao longo de sua vida, e a maioria de seus relacionamentos teve o jeito agressivo do cantor como fatores decisivos para o término. Tim também tinha problemas com os compromissos que fazia por conta de seus vícios, muitas vezes não comparecia a shows e nem para gravações ou participações na televisão. Isso tudo foi minando a imagem do artista, que necessitava dessas coisas para manter a carreira relevante. 

Inevitavelmente sua popularidade começou a ser afetada, e cada vez mais Tim se via em um abismo. Assim, decidiu que era hora de cuidar da saúde, e se internar em clínicas que poderiam ajudá-lo. Os anos passados foram decisivos para sua saúde, completamente decadente.

Tim Maia faleceu em março de 1998, aos 55 anos, depois de ter sido internado após passar mal no palco. Como diria o próprio cantor “Eu não bebo, não cheiro e não fumo, só minto um pouquinho”. Sempre de espírito alegre e cheio de ironia, deixou um legado enorme na música brasileira.


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