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Veja 5 fatos misteriosos sobre a morte de PC Farias

O brutal assassinato do ex-tesoureiro Paulo César Farias escandalizou o Brasil segue sem solução até hoje

Giovanna de Matteo Publicado em 13/08/2020, às 16h57

Registro de PC Farias
Registro de PC Farias - Divulgação

Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram assassinados misteriosamente no dia 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Maceió. Eles foram encontrados deitados na cama sem vida, cada um com um tiro no peito, que levou à morte imediata.

PC Farias foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello. Acusado de corrupção durante a campanha eleitoral, ele foi o personagem central do escândalo que levou ao impeachment do ex-presidente Collor. Além disso, foi condenado por crimes de sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Quando morreu respondia a vários processos e estava em liberdade condicional.

Confira abaixo 5 mistérios sobre a morte de PC Farias e Suzana.

1. O culpado pelo assassinato

Foi enviado a Maceió um grupo de 11 peritos, liderado pelo legista Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas, que chegou à conclusão de que Suzana teria matado o namorado enquanto ele dormia, e depois se suicidara. Testemunhas admitiram que ouviram o casal discutindo logo depois do jantar.

No entanto, essa hipótese foi questionada pelo professor de Medicina Legal da Universidade Federal de Alagoas, George Sanguinetti. Estudando e analisando a cena do crime, ele concluiu, pela localização do ferimento, posição do corpo de PC, estatura de Suzana e pelo ângulo do disparo, que “a única forma de ela ter apertado o gatilho era se estivesse levitando”.

O Júri também descartou a possibilidade de homicídio seguida de suicídio. O laudo de Sanguinetti afirma que não há crime passional com um único disparo, além de que o tiro foi de profissional, "Jamais Suzana Marcolino teria condições de ser a autora do disparo. Havia uma hemorragia interna com 1 litro de sangue no pulmão esquerdo e meio litro no pulmão direito.", declarou o professor. O culpado não foi identificado até os dias de hoje, e o crime segue sem decisão concreta.

2. A arma do crime 

Foi descoberto que o revólver usado no assassinato fora comprado por Suzana, uma semana antes do crime, com um cheque assinado por ela.

Ângela Maciel, prima e sócia de Suzana, afirmou em depoimento à Folha que a compra da arma foi feita porque ela estava sendo seguida nos dias que antecederam a sua morte. "A Suzana contava que tinha muito medo porque estava sendo seguida. Toda vez que ela saía da casa do PC, um carro a acompanhava à distância. Foi por isso que ela comprou a arma para deixar com a mãe", declarou Ângela.

Em 1996, a empresa Amadeo Rossi confirmou que vendeu o revólver para a Polícia Militar de Alagoas. O primeiro comprador foi o PM José Adolfo da Silva, que pagou R$216 pelo objeto. Depois, o soldado afirmou à Folha que revendeu a arma por falta de dinheiro, mesmo não podendo fazer isso. Após essa primeira venda, o revólver foi sido revendido várias vezes, até chegar nas mão de Suzana.

Duas décadas depois, porém, A Justiça alega que a arma foi perdida. Parte do armamento guardado na central de custódia de armas e munições do fórum de Maceió havia desaparecido. Gilberto Pitágoras, foi preso em dezembro de 2014 acusado de revender as armas, mas foi libertado logo depois, respondendo o crime em liberdade.

3. Ex-seguranças absolvidos

Apesar do julgamento ter definido a causa da morte como homicídio duplo, os quatro réus, que eram ex-seguranças de PC, foram absolvidos pelo júri.

Na opinião do advogado criminalista Antônio Cláudio de Oliveira, não existe contradição na decisão do júri. Ele afirmou que: “Há casos, não são poucos, em que se reconhece a existência do crime, mas o apontado autor do crime venha a ser absolvido. Estão apenas dizendo: ‘esse réu ou esses réus’ não foram os autores do crime. É a tese que foi acolhida pelos jurados no caso de Maceió”.

Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva, Josemar Faustino dos Santos e Reinaldo Correia de Lima Filho foram acusados pela promotoria geral como omissos, por não terem impedido as mortes, sendo esse o seu trabalho principal como seguranças.

4. Queima de colchão 

O jardineiro da casa onde ocorreu o crime foi a primeira testemunha do júri popular dos quatro ex-seguranças acusados. Leonino Tenório Carvalho confirmou que queimou o colchão onde o patrão e a namorada teriam sido encontrados sem vida, na casa de praia de Gauxuma, litoral norte de Maceió.

"Eu falei com o Flávio (referindo-se ao tenente chefe da segurança de PC Farias) que estava com mau cheiro. Aí eu perguntei ele, disse a ele que estava podre, e ele ligou para não sei quem, e mandou fazer a limpeza e jogar fora. Peguei o colchão e meti fogo. Eu pensei que não ia incomodar", disse ele em depoimento.

Logo em seguida, o garçom de Paulo César, Genival da Silva França, confirmou ter recebido a ordem para destruição das provas, e alegou que a autorização para queima do colchão foi dada pelo primeiro delegado do caso, Cícero Torres (que depois foi afastado das investigações após o laudo usado como base para definir crime passional ter sido contestado).

5. Casa onde ocorreu o crime 

Com os anos, a casa de praia que foi palco do crime afastou-se de sua fama mórbida e vem ganhando outros fins. Ela já foi usada para casamentos de amigos e familiares do ex-tesoureiro morto.

Um sobrinho de PC casou no local e a filha dele, Ingrid, também chegou a emprestar a casa para um casal de amigos realizar um casamento. O cenário, apesar de seus fantasmas, é muito propício para casamentos por conta do local onde fica, dando acesso à uma praia deserta.