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Veja a história por trás da foto de um homem branco jogando ácido em pessoas negras

A fotografia foi tirada em 1964 e se tornou um marco na luta pelos direitos civis, após evidenciar a segregação racial nos Estados Unidos

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 18/04/2021, às 09h12

Homem jogando ácido clorídrico em piscina de jovens negros
Homem jogando ácido clorídrico em piscina de jovens negros - Divulgação/Vídeo/Youtube

Em 1964, viralizou a fotografia de um homem branco despejando um galão de ácido clorídrico em uma piscina com pessoas negras. De acordo com o portal de notícias Terra, a imagem foi tirada em um hotel na cidade de Saint Augustine e evidenciou os horrores da segregação racial nos Estados Unidos.

A fotografia em questão, mostra o desespero de pessoas negras sendo atacadas por um homem branco, enquanto banhavam-se na piscina do estabelecimento. Mais tarde, o caso tornou-se símbolo da luta pelos direitos civis no país.

Contexto histórico 

Após o fim da Guerra da Secessão em 1865, os Estados Unidos aboliu a escravatura e a aprovou a Lei dos Direitos Civis, que determinava direitos iguais entre negros e brancos. Contudo, na Flórida e em outros Estados do sul do país, ainda havia a segregação racial.

Com as Leis de Jim Crow — nome dado em referência a um personagem branco do início do século 19 que era conhecido por fazer blackface — houve a validação de práticas racistas

Manifestantes protestam contra a miscigenação racial, em 1959 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Desta forma, casamentos inter-raciais eram proíbidos e pessoas negras não podiam frequentar os mesmos espaços que pessoas brancas, sob a alegação preconceituosa de que iriam “contaminar” cidadãos de pele clara. 

Grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan, se aproveitaram dessas leis para promover ataques inescrupulosos contra indivíduos negros e de outras etnias. Já com o fim da Segunda Guerra Mundial, o movimento integracionista ganhou força em todo o território e a luta pelos direitos civis ganhou maior notoriedade.

No entanto, na Flórida, somente a partir de 1963, a pauta ganhou mais força, com o Movimento de Santo Agostinho, que fazia referência à cidade de Saint Augustine, ao norte do Estado. 

Durante a primavera de 1964, este movimento social passou a ser apoiado pela Conferência da Liderança Cristã do Sul, até então liderada por Martin Luther King Jr. Os ativistas partiram em direção ao centro de Saint Augustine, para reivindicar pelos seus direitos.  

Martin Luther King Jr., ativista americano / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na ocasião, o grupo recebeu o apoio de freiras, rabinos e de muitos cidadãos brancos que não compactuavam com o segregacionismo racial eminente no país. Contudo, os integrantes do ato foram presos pelas autoridades do Estado.

A imagem 

Em junho de 1964, os manifestantes organizaram outro ato, desta vez no hotel Monson, onde a presença de pessoas negras era proibida. Na ocasião, Martin Luther King Jr. chegou a ser preso por se impor contra as leis racistas da Flórida.

Uma semana depois, o grupo organizou um novo protesto no mesmo local. Dessa vez, os ativistas pularam na piscina do hotel, sob a presença da mídia e das autoridades estadunidenses. 

Ao se deparar com esta situação, o gerente do estabelecimento, Jimmy Brock, pegou um galão de ácido clorídrico e jogou na piscina repleta de manifestantes. Embora o homem branco tenha atentado contra a vida dos banhistas, as vítimas foram presas pelos policiais. 

Após o episódio, a imagem viralizou por todo o país. Em seguida, o senado dos Estados Unidos cedeu a pressão dos protestos e aprovou a Lei dos Direitos Civis, decretando um basta da segregação racial em espaços públicos e privados.

Veja o vídeo do momento abaixo!


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