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Veja tudo que foi divulgado sobre o caso Henry Borel na última semana

Diversas notícias vieram à tona a respeito da investigação desse crime que horrorizou o Brasil nos últimos dias

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/04/2021, às 07h00

Fotografia do pequeno Henry com cão do pai
Fotografia do pequeno Henry com cão do pai - Divulgação/Leniel Borel

No último 7 de março, o vereador Dr. Jairinho e sua esposa Monique Medeiros levaram o menino Henry Borel, então já sem vida, para um hospital do Rio de Janeiro. O padrasto e a mãe da criança alegaram que ele havia sofrido um acidente doméstico

Essa primeira versão dos fatos logo passou a ser questionada, todavia, com o laudo policial encontrando lesões graves por todo o corpo do menino de quatro anos. 

A causa da morte oficial foi identificada como “hemorragia interna e laceração hepática [danos no fígado] causada por uma ação contundente”. Assim, a hipótese do acidente foi descartada, e os oficiais passaram a acreditar que Henry havia sido, na verdade, vítima de um assassinato.  

Fotografia mostrando Jairinho e Monique / Crédito: Divulgação 

 

Prisão preventiva e inconsistências 

Jairinho e Monique foram submetidos a uma prisão preventiva desde a última quarta-feira, 8, quase um mês depois da morte da criança, sendo considerados suspeitos de homicídio duplamente qualificado.

Outra acusação direcionada ao casal, de acordo com o R7, é que eles ameaçaram diversas testemunhas, assim realizando uma obstrução de justiça. As informações do caso também foram repercutidas pelo G1 e UOL no início desta semana. 

Os oficiais envolvidos na investigação também observaram que o casal jogou seus celulares pela janela quando a polícia bateu em sua porta. Os eletrônicos, todavia, foram posteriormente recuperados. 

O Correio Braziliense também repercutiu que esse momento da investigação revelou comportamentos que demonstravam certa frieza da parte da mãe da criança frente à morte do filho de quatro anos. 

Conforme revelado pelas autoridades do Rio de Janeiro, Monique tirou uma selfie sorrindo na delegacia em que depôs sobre o falecimento de Henry, por exemplo, e também foi a um salão de beleza depois do velório, onde recebeu os serviços de três profissionais, especializados respectivamente em manicure, pedicure e cabelo. 

Selfie tirada por Monique na delegacia / Crédito: Divulgação 

 

Tortura e mentiras 

A esse ponto, a investigação do caso revelou também que a noite em que o menino Henry faleceu não foi a única em que ele foi vítima de violência - o garoto teria sido torturado pelo padrasto semanas antes de falecer, de acordo com o que foi divulgado pelo G1. 

A polícia foi capaz de recuperar uma conversa via WhatsApp entre a mãe e a babá (identificada como Thainá) que trouxe à tona o fato que a guardiã já estava ciente desses episódios, ao contrário do que afirmou em seu depoimento. 

“Nós encontramos no celular da mãe prints de conversa que foram uma prova extremamente relevante, já que são do dia 12 de fevereiro. E o que nos chamou a atenção é que era uma conversa entre a mãe e a babá que revelava uma rotina de violência que o Henry sofria. A babá relata que Henry contou a ela que o padrasto o pegou pelo braço, deu uma rasteira e o chutou. Ficou bastante claro que houve lesão ali. A própria babá fala que o Henry estava mancando", pontuou Antenor Lopes, o diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital. 

Nessa data de fevereiro, a perturbadora troca de mensagens revelou que o garoto reclamou de dor no joelho e na cabeça, além de ter contado que o padrasto lhe havia dito frases como “Você perturba sua mãe”, “Não pode contar o que aconteceu” e “Se não me obedecer vou te pegar!”. 

"A mãe não comunicou a polícia, não afastou o agressor de uma criança de quatro anos. Ela esteve em sede policial, prestando depoimento por 4 horas, dando uma declaração mentirosa e protegendo o assassino do próprio filho. Ela aceitou esse resultado. Ela se manteve firme ao lado dele [de Jairinho], mantendo uma versão absolutamente mentirosa", completou ainda Antenor, segundo o site do G1. 

O pai de Henry 

Fotografia de Henry com o pai, Leniel / Crédito: Divulgação 

 

O engenheiro Leniel Borel deu uma entrevista para o Globo em que afirmou que, além de Monique, sua ex-sogra Rosângela Medeiros também buscava acobertar a violência doméstica sofrida por seu filho de 4 anos, o tendo dito para “esquecer” quando ele trouxe o assunto à tona. 

"Ele me atendeu todo tristinho. Eu perguntei o que houve. Ele me disse: 'Papai, eu não quero ficar na casa nova da mamãe'. Eu perguntei o que tinha acontecido, e ele respondeu: 'O tio [Jairinho] me machuca'. Ele estava perto da avó e da babá. Aí eu disse: 'Vocês estão vendo aí que não é coisa da minha cabeça? Vocês não falam que sou eu que estou manipulando o Henry para falar isso?', contou Leniel

Na mesma entrevista à emissora, o engenheiro falou ainda sobre o último pedido que o menino lhe fez antes de sua morte, que aconteceu quando ele foi deixar o garoto na casa da mãe.

"Quando eu fui entregar para ela, a Monique veio, eu falei 'vai com a mamãe', e ele: 'não papai, não quero ir. Me dá mais um dia. Deixa eu ficar mais um dia com você'. Eu falei vai com a mamãe, porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte. E ela falou: 'filho, amanhã tem escolinha, amanhã tem futebol, natação'. E ele disse 'não, mamãe, eu não gosto'”, revelou. 

Na última quinta-feira, 8, Leniel também fez uma publicação em suas redes sociais por conta do um mês da morte do filho: “Henry, faz 30 dias desde que te dei o último abraço. Nunca vou esquecer de cada minuto do nosso último final de semana juntos. Desculpe o papai por não ter feito mais, lutado mais e protegido você muito mais”, concluiu o pai enlutado da criança.