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Vencendo a epidemia: como a quarentena ajudou a salvar vidas no Gueto de Varsóvia

Segundo um estudo publicado em 2020 pela revista científica Science Advances, o distanciamento social e práticas de higiene ajudaram a salvar milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial

Victória Gearini Publicado em 22/02/2021, às 18h48

Construção do muro do Gueto de Varsóvia
Construção do muro do Gueto de Varsóvia - Wikimedia Commons

Com uma área equivalente a 3,4 quilômetros quadrados, o Gueto de Varsóvia foi um local criado para aprisionar mais de 450 mil judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Neste lugar insalubre, a fome e o frio intenso tomavam conta da população.

Devido às condições precárias, o local também era ideal para a proliferação de inúmeras doenças, como o tifo epidêmico. Contudo, devido ao isolamento social e a quarentena, o lugar conseguiu sobreviver ao surto da doença.

O Gueto de Varsóvia 

Localizado na Polônia, o Gueto de Varsóvia começou a ser pensado pelos nazistas após a ocupação alemã no país, em 1939. O local, portanto, foi criado em 16 de Outubro de 1940 por Hans Frank, mais conhecido como "o açougueiro da Polônia". 

Após a sua criação, milhares de pessoas foram obrigadas a se mudarem para o gueto, onde encontraram enormes dificuldades para sobreviver. A fome era alarmante, e as comidas destinadas para os judeus eram extremamente limitadas, chegando a apenas 184 kcal por dia.

O gueto separado por um muro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao longo de três anos, a população foi de 380 mil para 90 mil habitantes. O local era conhecido pela fome extrema, proliferação de doenças e deportações de judeus para campos de concentração.

Diante deste cenário cruel, muitas pessoas começaram a morrer de fome, frio e doenças que se alastravam rapidamente pelo gueto, entre elas o tifo epidêmico. Contudo, diferente do que se possa imaginar, os moradores do Gueto de Varsóvia conseguiram enfrentar a situação e controlar a epidemia, evitando milhares de mortes.

A quarentena 

De acordo com uma pesquisa publicada em 2020 pela renomada revista científica Science Advances, a população do gueto trabalhou em conjunto para erradicar a proliferação de tifo, poupando a vida de mais de 100 mil pessoas.

A partir de uma análise minuciosa de documentos históricos, os pesquisadores descobriram que durante outubro de 1941, quando acreditavam que a curva epidêmica fosse subir, a comunidade trabalhou para que as taxas despencassem. 

Crianças famintas no Gueto de Varsóvia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista à Revista Galileu, em 2020, o pesquisador e professor da Universidade de Tel Aviv, Lewi Stone, disse que por pouco a epidemia não foi mais letal, mas graças aos esforços dos judeus, a doença não atingiu picos maiores.

Conforme o estudo, as mudanças comportamentais da população foram essenciais para controlar as taxas de transmissão de tifo. Na época, os infectados foram isolados das demais pessoas e uma quarentena foi decretada em todo o Gueto de Varsóvia.

Outro fator que ajudou a conter a proliferação da doença foram as medidas de distanciamento social e conscientização de práticas de higiene, que embora precárias — dadas as circunstâncias insalubres da guerra — foram seguidas à risca pela comunidade judaica que morava no gueto. 

"Ações dos indivíduos na prática de higiene, distanciamento social e auto-isolamento quando estão doentes podem fazer uma enorme diferença na comunidade para reduzir a disseminação", disse o colaborador do estudo, Yael Artzy, em entrevista à Revista Galileu.


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