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Medusa: Conheça a verdadeira história da vilã injustiçada

Vítima de inveja, obsessão e violência sexual, essa personagem da mitologia grega sempre foi denominada vilã. Conheça a sua verdadeira história

Joseane Pereira Publicado em 18/08/2019, às 07h00

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- Crédito: Reprodução

A história da Medusa é uma das mais conhecidas da mitologia grega. Na lenda, a terrível górgona com cabelos de serpente e olhar petrificador acaba sendo decapitada pelo herói Perseu e passa a ser utilizada como arma de guerra. Quem assistiu ao filme Percy Jackson (2013) está bem familiarizado com a cena, longamente reproduzida, sobre os perigos de se confrontar a górgona.

Mas uma versão menos conhecida dessa história retira a personagem do papel de vilã, colocando-a como vítima da irresponsabilidade dos deuses gregos — cujas características espantosas como orgulho, inveja, obsessão e fúria se afastam muito da ideia de um deus bondoso propagada pelo cristianismo. 

A imagem da Górgona geralmente é usada em frente a templos gregos, com objetivo de espantar maus espíritos. Na foto, ruínas do templo de Apolo / Crédito: Reprodução

 

Sacerdotisa de Atena

Antes de se transformar em monstro, Medusa vivia com suas irmãs no templo de Atena, deusa da guerra e da sabedoria. Segundo o poeta grego Hesíodo, que escreveu entre 750 e 650 a.C., ela era uma linda mulher com traços elegantes e um cabelo invejável. 

Filha das divindades marinhas Fórcis e Ceto e irmã de Esteno e Euríale, Medusa era a única mortal da família, e respeitava os ensinamentos de Atena se mantendo virgem e casta para continuar a exercer o sacerdócio. Entretanto, a sua beleza atraía homens de muitas cidades, que iam ao templo, não para levar oferendas, mas para observá-la — o que acabava enfurecendo a deusa.

Um desses homens era o deus Poseidon, tio de Atena, que nunca se entendeu com a sobrinha. Nas histórias lendárias sobre o surgimento da cidade de Atenas, a região da Ática era disputada pelos dois deuses, e coube à população escolher qual deus seria o patrono do local, ou seja, aquele que fornecesse aos habitantes o presente mais útil.

Poseidon criou uma fonte de água e Atena forneceu uma muda de oliveira, útil para fabricação de óleo de oliva. A cidade então a nomeou como padroeira local, o que gerou a rixa familiar entre os dois deuses.

Representação da disputa entre Atena e Poseidon no Museu da Acrópole, em Atenas / Crédito: Reprodução

 

Poseidon obsessivo

Poseidon tinha consciência de que as sacerdotisas de Atena deveriam ser puras, mas isso não o impedia de cortejar a bela Medusa, que se esquivava constantemente. Cansado das negativas e dominado pela paixão, o deus dos mares decidiu violar a sacerdotisa dentro do templo e em frente à estátua de Atenas que, furiosa, optou por castigá-la — afinal, Poseidon estava apenas seguindo sua natureza de homem, e a culpada era aquela que o seduziu com seus encantos. 

A Maldição

Pela violação de seu templo, Atena transformou Medusa num terrível monstro. Seus cabelos viraram serpentes, seu corpo criou escamas e os dentes foram transformados em presas de javali. E o pior: a maldição determinava que todos os que olhassem para ela virariam pedra, o que condenou Medusa a uma terrível solidão.

Expulsas do templo, as três irmãs se refugiaram em uma caverna no extremo oriente da Grécia, onde podiam viver sem maiores conflitos — até que os guerreiros da  Grécia passaram a visitar o local para confrontá-la e tomar sua cabeça como arma.

Um deles foi Perseu, jovem semideus obrigado pelo rei da ilha Cícade a decapitar o monstro — caso não o fizesse, sua mãe seria violada pelo rei. Pedindo auxílio aos deuses, o jovem recebeu presentes que o auxiliaram na empreitada, como um elmo que o tornava invisível e uma bela espada. Com esses auxílios, Medusa, que já havia sido violentada e amaldiçoada, foi decapitada.

Representação da vitória de Perseu / Crédito: Reprodução

 

Quando o herói Perseu derrotou Medusa, uma gota de seu sangue entrou em contato com a água e ouviu-se um grande trovão. Surgiu, então, uma espuma branca sobre a água e um belo cavalo branco com asas emergiu — era Pégasus, filho da relação entre Poseidon e Medusa. Sim, a violação da deusa no templo tinha gerado uma gravidez. Além de Pégasus, o gigante Crisaor também emergiu como fruto da relação entre os dois.