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Explosão no ar: Vesna Vulovic, a aeromoça que foi salva por um carrinho de comida

Em 1972, a jovem de 22 anos passou por uma experiência inacreditável

Pamela Malva Publicado em 16/06/2020, às 08h00

Vesna Vulovic na época da tragédia
Vesna Vulovic na época da tragédia - Wikimedia Commons

Para Vesna Vulovic, o dia 26 de janeiro de 1972 prometia ser como qualquer outro. Ela estava a bordo de um DC-9 da companhia Yugoslav Airlines, trabalhando como aeromoça e tudo corria bem.

O voo 367 partiu de Copenhague com destino a Belgrado por volta das 15h. No meio do trajeto, a aeronave já estava a 10 mil metros de altura e passava por uma cadeia de montanhas da antiga Tchecoslováquia.

No entanto, por volta das 16h, o avião sofreu uma enorme explosão no compartimento de bagagem. Com 28 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, o DC-9 se partiu no ar. Vesna, então com 22 anos, foi a única sobrevivente da tragédia.

Segundo as investigações, a comissária sobreviveu à explosão porque havia ficado presa por um carrinho de comida na parte de trás do avião. A cauda da aeronave foi encontrada em uma parte da montanha coberta por árvores e neve, o que, segundo os peritos, amorteceu a queda e salvou a vida de Vesna.

Investigações e teorias

Inicialmente, os investigadores determinaram que a explosão teria sido causada por uma bomba implantada por um grupo nacionalista da Croácia. A teoria dizia que o explosivo foi implantado na aeronave durante a parada em Copenhague.

A tese trabalhava com o fato de que nacionalistas croatas, de fato, realizaram mais de 120 ataques terroristas contra civis e militares iugoslavos, entre 1962 e 1982. No entanto, quanto ao voo 367, nenhuma prova concreta — como a caixa-preta do avião — foi encontrada e ninguém foi preso.

Em 2009, entretanto, dois repórteres investigativos surgiram com uma nova teoria. Para Peter Hornung e Pavel Theiner, de Praga, o avião teria sido derrubado por um caça da Força Aérea tcheca. Nessa teoria, ele teria sido confundido com uma aeronave inimiga.

Os dois jornalistas se basearam em diversos documentos da autoridade de aviação civil da antiga Iugoslávia para chegar a essa conclusão. Ambos acreditam que a versão de Vesna, na verdade, foi criada pela polícia tcheca, a fim de encobrir o erro dos militares.

Segundo Hornung e Theiner, a polícia secreta iugoslava também teria colaborado com o plano. Sendo assim, a história de Vesna era tão boa que ninguém teria duvidado.

DC-9 da Yugoslav Airlines semelhante ao que explodiu em 1972 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois da tragédia

Logo que foi encontrada ainda com vida, a aeromoça foi levada ao hospital. Ela ficou 10 dias em coma — fraturou o crânio, as duas pernas, a pélvis, várias costelas e duas vértebras. Vesna ficou temporariamente paraplégica, mas se recuperou plenamente e voltou a trabalhar na Yugoslav Airlines, agora no balcão de check-in.

No fim, a queda rendeu à Vesna um dos recordes do Guinness World Records. Ela foi registrada com a única sobrevivente da maior queda livre sem paraquedas, em 1985. Além disso, todavia, o episódio transformou a vida da comissária completamente.

Vesna virou uma celebridade na Sérvia e acabou virando ativista política. Em 1990, ela foi demitida da companhia por participar de protestos contra o então presidente Slobodan Milosevic.

Ela seguiu lutando contra o nacionalismo nas duas décadas seguintes até que, foi encontrada morta em sua casa em Belgrado, em dezembro de 2016. Vesna morava sozinha com seus três gatos e tinha 66 anos. A causa de sua morte nunca foi divulgada.


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