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Via áudio: Clubhouse, conheça o aplicativo que cutucou a China

A rede social foi comparada aos clássicos walkie-talkies pela comunicação única de áudio e presença de famosos

Wallacy Ferrari Publicado em 13/02/2021, às 10h00

Logotipo do aplicativo Clubhouse para iOS
Logotipo do aplicativo Clubhouse para iOS - Divulgação

Desde a ascensão de marcas asiáticas no mercado mundial de telefonia, com a Samsung, Xiaomi e Huawei, o governo chinês faz questão de mediar o retorno de conteúdo ocidental em plataformas de rede pública no país comunista.

O controle da internet não surgiu nos smartphones. Conforme repercutido pelo 33Giga, o uso da rede mundial de computadores chegou no país em 1994, sendo supervisionada desde então e, gradativamente, adaptada como uma rede nacional, com poucos elementos do exterior.

Em função disso, websites populares como o Google e seus serviços, o Facebook e a Wikipedia, além dos principais jornais do mundo, tem o acesso bloqueado ao passar pelo "Grande Firewall do Estado".

A última vítima da censura, no entanto, apresenta características diferentes dos grandes serviços bloqueados.

Além de ser uma criação nova, lançada durante a pandemia, ainda está em fase de desenvolvimento, só podendo ser acessada através de convites de usuários já cadastrados. Trata-se do Clubhouse, aplicativo desenvolvido pela Alpha Exploration Company.

Grupos fechados

O aplicativo separa temas por salas e os perfis são semelhantes aos do Instagram e Twitter; tendo o @ como prefixo, os usuários podem se reunir e conversar em grupos de até 5 mil pessoas simultaneamente.

Assim que os grupos são fechados, todas as conversas acabam sendo encerradas sem histórico de permanência ou gravação de voz.

A voz, inclusive, é o elemento único na comunicação do aplicativo; semelhante aos antigos walkie-talkies, o usuário pressiona para transmitir uma mensagem de voz junto aos outros membros, possibilitando o envio de mensagens em tempo real.

Em algumas salas, é possível limitar a comunicação apenas para administradores e usuários selecionados, permitindo transmissões.

Prints demonstram o funcionamento da rede social Clubhouse / Crédito: Divulgação

 

O aplicativo ficou ainda mais popular com a aderência de pessoas famosas em fácil acesso público. O CEO da SpaceX, Elon Musk, o ator Ashton Kutcher e o rapper Drake frequentaram salas com admiradores e chegaram a ser entrevistados.

No Brasil, os apresentadores Marcelo Adnet e Luciano Huck acessaram a plataforma e divulgaram o uso em suas redes sociais. Aproveitando a novidade, o Athletico Paranaense realizou uma transmissão por áudio do jogo contra o Corinthians na plataforma.

Bloqueio chinês

De acordo com o portal de economia do G1, muitos usuários chineses que tentaram utilizar o aplicativo na última segunda-feira, 8, relataram que o serviço foi desligado simultaneamente em todo o país.

As contas, inicialmente congeladas, passaram a não responder a impulsos na aplicação, que posteriormente foi retirada de todas as lojas virtuais licenciadas pelo governo chinês. O tal paraíso da liberdade de expressão foi suficiente para o governo chinês “expressar preocupação” com possíveis propagandas contra o Estado.

A principal rede social chinesa, Weibo — uma espécie de Twitter com palavras bloqueadas — teve a hashtag #ClubhouseBlocked compartilhada por mais de 100 mil usuários no início do dia do congelamento, porém, pela tarde, o termo já era bloqueado em publicações e não apresentava resultado em pesquisas, evidenciando a interferência.


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