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A vida da mulher na mira do Talibã após a tomada do Afeganistão

O retorno do grupo fundamentalista deixou de lado os 20 anos de progresso social em causas femininas no país

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/08/2021, às 16h37 - Atualizado às 17h25

Mulheres se locomovem em van após tomada do Talibã
Mulheres se locomovem em van após tomada do Talibã - Getty Images

A tomada da capital do Afeganistão pelo Talibã já chama atenção da imprensa internacional pela rapidez em que grupo fundamentalista islâmico implementa seus ideais radicais no território.

Em aproximadamente uma semana, a retomada ao poder após 20 anos conseguiu inserir, em poucos atos, as normas antigamente condenadas pelos governantes em desenvolvimentos sociais nas últimas duas décadas.

As mudanças, temidas por parte dos habitantes do país, já resultaram em cenas históricas em busca de auxílio internacional e a saída da capital a qualquer custo.

Porém, uma questão preocupa ainda mais uma parcela massiva da população. As mulheres, que adquiriram direitos importantes durante os 20 anos de intervenção, podem voltar a ser restringidas pelas doutrinas do grupo.

"O Talibã entrou na cidade e estamos fugindo. Todo mundo está com medo. Este não é um clipe de um filme de terror, esta é a realidade em Cabul. Na semana passada, a cidade sediou um festival de cinema e agora eles fogem para salvar suas vidas. Comovente de assistir, mas o mundo não faz nada", disse uma jovem em vídeo que foi repercutido pela ativista de direitos humanos, Masih Alinejad, através do Twitter. 

Parte das mudanças já foi compreendida pelos afegãos pela forma como o Talibã manifesta seus valores. Assim como no início do século 21, voltaram a ser impedidas de estudar, trabalhar e exercer seus direitos sociais. As primeiras medidas, listadas em reportagem da BBC, já chocam o mundo.

“Assistimos em completo choque enquanto o Talibã assume o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos", disse a jovem ativista Malala."Poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis", desabafou ela algumas horas após a notícia do cerco de Cabul.

Mudanças notáveis

Dentro do Afeganistão, a repressão aos trajes femininos tornou o retorno das burcas uma realidade; cobertas com um longo tecido preto com aberturas apenas para os olhos, a vestimenta elimina qualquer característica individual das mulheres e serve como identificação para a entrada em estabelecimentos onde não são permitidas.

Com a obrigatoriedade extra-oficial da medida, os agentes do grupo chegaram a cobrir mulher com tinta caso estivessem sem véu ou usando maquiagem.

Em âmbito interno, as principais emissoras de televisão do país tiveram uma interferência ainda maior com a tomada do Talibã.

Jornalistas e outras figuras femininas da Tolo TV, ITV e da estatal National Afghanistan — três maiores canais do país — sumiram da programação, sendo substituídas por programação religiosa, reprises e coberturas favoráveis ao grupo extremista em telejornais.

Mulheres em grupos de acolhimento com filhos / Crédito: Getty Images

 

Eliminação cultural

Com a aplicação das medidas restritivas às liberdades femininas, as formas de representação da feminilidade são eliminadas gradativamente pelos fundamentalistas.

Juntamente de apoiadores, imagens em vitrines e outdoors contendo mulheres maquiadas e com os corpos parcialmente expostos são rasgadas ou trocadas com tinta branca e preta para apagar seu significado original.

Além disso, o impedimento choca as cidadãs locais pela interferência violenta, como relatou uma jovem, que não teve a identidade revelada, à BBC: "Eu tinha muitos planos para o meu futuro, mas agora não posso trabalhar nem ir para a universidade [...] Não sei como será nosso futuro. Isso me fez perder a esperança. Estou procurando uma maneira de sair do Afeganistão porque não há esperança para as mulheres", disse a jovem.

Porém, uma das principais ativistas do feminismo do país, Mahbouba Seraj, afirmou que se dispõe a dialogar com o Talibã para adaptar a retomada de maneira consciente para a reintegração das mulheres na sociedade — mesmo que os fundamentos do grupo islâmico sejam contrários à medida.


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