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Matérias / Estados Unidos

Vida de redenção: A curiosa história do ex-neonazi Michael Kent

Depois de vinte anos no movimento, Kent retirou as tatuagens nazistas e abandonou os ideais preconceituosos

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 27/01/2021, às 17h25

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Imagem meramente ilustrativa de corpo tatuado - Getty Images
Imagem meramente ilustrativa de corpo tatuado - Getty Images

O ex-neonazista Michael Kent construiu uma história de redenção depois de passar 20 anos em um movimento da supremacia branca no Arizona, Estados Unidos. Como membro, ele cometia crimes de ódio contra negros e outros grupos sociais, e recrutava jovens para se unir à 'causa'.

Ao longo dos 20 anos, ele marcou três tatuagens: duas suásticas no peito e a frase “orgulho branco” nas costas - lema usado pelos supremacistas brancos.

Segundo Kent, cada letra da frase só era conquistada pelo membro depois que ele completasse uma missão, isto é, machucasse alguém. 

Costas de Michael Kent com a tatuagem supremacista "Orgulho branco". Crédito: Divulgação/Michael Kent/BBC

Kent contou ao programa Victoria Derbyshire, da BBC, que as ideias neonazistas surgiram durante a infância e pré-adolescência, quando morava em um bairro predominantemente negro. 

Aos 12 anos, Michael disse que um afro-americano quase estuprou sua mãe depois de invadir a casa em que morava. Já em outra situação, a mãe de um amigo negro o expulsou dizendo que não queria "aquele demônio de olhos azuis nesta casa".

O ex-neonazi confessou: "Isso só alimentou meu ódio, já que eles não gostavam de mim, [...] comecei a odiá-los mais do que tudo". Kent também assumiu o erro de perspectiva que teve na época. “Apenas sobre como uma pessoa me tratou, eu pensei que todo mundo era assim. Me tornei mais e mais odioso com o passar do tempo”, disse.

Redenção

Foi quando Michael Kent ficou preso por porte de armas e drogas que conheceu a oficial de condicional negra Tiffany Whittier. Ela assumiu o caso de Michael quando ele completou um ano de prisão.

Segundo ele, Tiffany foi a primeira oficial que fez uma visita sozinha. Todas as outras haviam sido em dupla, graças ao seu histórico violento. Michael ficou surpreso, já que ela sabia de suas tatuagens e crimes e mesmo assim tinha insistido.

“Ela teve a audácia, a coragem, a força de vir até mim. Daquele dia em diante, aos poucos, ela começou a transformar a minha vida”, contou. Depois, Tiffany foi à casa de Michael e encontrou suásticas, bandeiras nazistas e fotos de Hitler. Apesar disso, ela não o abandonou. 

“Eu queria descobrir de onde ele é, de onde vem seu ódio. Queria que ele fosse bem-sucedido em liberdade condicional e aos poucos ele começou a fazer isso sozinho”, explicou ela. Tiffany então sugeriu que ele jogasse fora todos os objetos nazistas e os substituísse por coisas positivas.

Aos poucos, Michael Kent se livrou de tudo e passou a se sentir menos agressivo. “Mais e mais ela se envolveu em minha vida e o ódio começou a se dissipar, o amor começou a crescer em meu coração”, contou ele à BBC.

Para fechar sua transformação com ‘chave de ouro’, Michael procurou a ONG Redemption Ink, dos Estados Unidos, para cobrir as tatuagens supremacistas. Para ele, esse passo é um processo emocional muito importante que o faz chorar sempre.

Nova tatuagem de Michael. Crédito: Divulgação/Michael Kent/BBC

Futuro

Hoje, Kent trabalha em uma granja onde é o único branco, e vive nas montanhas. Ele e Tiffany esperam engajar outras pessoas para combater o racismo, e planejam escrever um livro e abrir um grupo no Facebook, com o objetivo de aumentar o diálogo com outras pessoas sobre a causa.

"Eu machuquei muitas pessoas, machuquei crianças ao recrutá-las quando eram jovens. Passei de um racista lixo de trailer a uma boa pessoa", finaliza Michael.


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