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Perdas e amizade com Chico Xavier: A vida íntima de Tarsila do Amaral

A famosa pintora brasileira passou por altos e baixos durante sua vida, e foi em um momento de dificuldades que conheceu o célebre médium

Ingredi Brunato Publicado em 27/11/2020, às 08h00

Retrato da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973)
Retrato da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) - Wikimedia Commons

Tarsila do Amaral é um dos maiores nomes da pintura moderna não só no Brasil, mas na América Latina, além de ser conhecida internacionalmente. Conhecida pelo seu estilo antropofágico, que absorvia influências europeias ao mesmo tempo que usava uma paleta de cores brasileira, a artista fez História com suas telas únicas. 

A artista fez inclusive parte do “Grupo dos Cinco”, formado por cinco brasileiros que são considerados até hoje ícones da arte moderna brasileira. Além da pintora, havia Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Esse último acabou se tornando o marido de Tarsila mais tarde, e muitos de seus pensamentos estão também presentes nos quadros dela. 

Um fato não tão conhecido a respeito da pintora brasileira é que, mais para o fim de sua vida, ela acabou fazendo uma amizade com o célebre médiumChico Xavier, um dos mais famosos propagadores da religião espírita no Brasil. 

Mesmo que pareçam fazer parte de universos diferentes, os dois acabaram se conhecendo durante um período difícil da vida da artista, em que ela desenvolveu uma inclinação para não só a caridade, mas também a espiritualidade — o que parecia lhe trazer conforto em meio à perdas em diversas áreas de sua vida com os quais ela lidava. 

Trajetória da pintora 

Tarsila do Amaral nasceu em uma família abastada, passando a infância em grandes fazendas de café. Já mais velha, estudou em um colégio em Barcelona, onde entrou em contato com a pintura. 

O primeiro casamento da artista não deu certo, principalmente porque seu marido queria que ela fosse exclusivamente uma dona de casa. Embora não existisse divórcio na época, devido aos recursos da família da pintora e seu estímulo à sua carreira artística conseguiu que o matrimônio fosse anulado. 

Uma das fases boas da vida de Tarsila veio em seguida, com a idealização do quadro Abaporu, suas interações com o Grupo dos Cinco e seu casamento com Oswald de Andrade

Da esquerda para a direita: Pagu, Elsia Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra em época posterior à Semana da Arte Moderna de 1922 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, em 1929, veio a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, o que causou uma crise no ramo do café e abalou a riqueza da família da pintora, fazendo com que a própria perdesse sua fazenda e grande parte da fortuna que permitia sua vida confortável. No mesmo período, Oswald decidiu se separar dela, indo se casar com outro ícone brasileiro, Pagu

A artista se casou novamente, mas não recuperou a felicidade no amor, sua estabilidade financeira havia ido embora, fazendo com que chegasse a trabalhar como operária de construção e pintora de paredes durante um período em que morou na Europa. 

Enquanto o reconhecimento artístico de Tarsila aumentava cada vez, ela terminou seu terceiro casamento, e depois o quarto. Nos seus últimos anos, assim, estava vivendo sozinha; o que, talvez, não a tivesse abalado tanto não fossem suas perdas desse período. 

Primeiro, perdeu suas pernas, levadas por um erro médico durante uma operação em sua coluna, que seria destinada para livrá-la de dores no local. Depois, perdeu sua única filha, Dulce, do primeiro casamento, para a diabetes. 

Amizade com Chico Xavier 

Fotografia de Chico Xavier / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi então que Tarsila do Amaral se aproximou do espiritismo, encontrando conforto nas concepções da religião. Consequentemente, acabou conhecendo Chico Xavier, com quem começou a trocar correspondências, possivelmente também buscando apoio para lidar com o transtorno depressivo com o qual lidava. 

Nessa época, inclusive, é possível ver a temática religiosa perpassar suas pinturas, além da artista aderir à caridade, doando o dinheiro da venda de seus quadros para uma instituição de caridade que pertencia ao médium brasileiro. 

Após a morte da artista, aos 87 anos, por causas naturais, Chico lhe prestou homenagens publicamente, em que exalta o talento e personalidade da amiga.


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