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A vida torturada e a morte nas mãos de um anarquista da Imperatriz Isabel de Baviera

Ela sofreu com um distúrbio alimentar, o suicídio de um filho, e no fim de tudo, foi esfaqueada - mas não percebeu, e morreu sem nem saber o que tinha acontecido

Ingredi Brunato Publicado em 24/09/2020, às 17h23

Pintura retratando Isabel da Baviera, rainha da Áustria.
Pintura retratando Isabel da Baviera, rainha da Áustria. - Wikimedia Commons

Isabel Amália Eugênia da Baviera, mais conhecida pelo seu apelido de infância de “Sisi”, foi Imperatriz da Áustria e Rainha da Hungria. A vida pública cheia de percalços da jovem nobre começou aos 16 anos, quando se casou com Francisco José da Áustria (antes dela se unir com a Hungria), que era nada menos que o monarca do maior império europeu. 

Esse casamento que tornaria Sisi uma importante imperatriz, contudo, não foi encarado exatamente como um sonho se tornando realidade pela moça. Segundo conta o livro “The Reluctant Empress” (ou “A Imperatriz Relutante”,  em tradução livre), de Brigitte Hamann, a então adolescente teria chorado na carruagem durante a viagem para o palácio onde viveria com o futuro marido, e passou a cerimônia matrimonial inteira tremendo.

E, embora não seja possível saber os pensamentos que passavam pela cabeça da jovem naquele exato momento, mais tarde em sua vida a imperatriz diria e escreveria frases sobre se sentir aprisionada e insatisfeita com sua vida. 

Sisi no dia de sua coroação como imperatriz. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

Passado 

Isabel de Baviera foi criada por um pai excêntrico: o duque Maximilian Joseph era um pacifista e defensor dos ideais democráticos progressistas, posicionamentos que não eram facilmente encontrados entre a realeza do período. 

A mãe da jovem, por sua vez, a princesa Ludovica, gostava de privacidade, preferindo se manter afastada dos deveres públicos, características que também se tornaram evidentes na nobre após seu casamento com Francisco José

A imperatriz da Áustria e a beleza 

Sisi era obcecada por sua aparência, passando até três horas por dia no cabeleireiro para manter o seu cabelo - que ia até os tornozelos - bem arrumado, além de outra hora para apertar sua cintura até que alcançasse a circunferência de 50 centímetros pelos quais a teria inclusive se tornado famosa. 

Pintura retratando Sisi. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

E se a obsessão da imperatriz da Áustria com ideais de beleza já não parecesse pouco saudável só com a descrição dessa rotina matinal, é preciso dizer ainda que Isabel, embora não pudesse ser diagnosticada durante sua época, provavelmente sofria com um distúrbio alimentar. 

Durante certa épocas de sua vida, ela teria se alimentado principalmente de sopas de caldo ralo, e em seus últimos anos sua dieta consistiria somente de leite cru (retirado de sua vaca), laranjas e ovos. 

Além da alimentação escassa, Sisi também usava horas e horas de seus dias se dedicando a exercícios físicos intensos. Ela passava quase todo o seu tempo em aulas de esgrima, caminhadas em ritmo acelerado, passeios a cavalo e exercícios adaptados de números de circo. 

Curiosamente, não é incomum ouvir pessoas que já sofreram com anorexia explicando como o distúrbio se torna uma forma de tomar o controle de sua vida, algo que a imperatriz da Áustria não parecia ter a julgar por suas poesias, expostas no “The Reluctant Empress”, em que clama por liberdade. 

Saúde mental em declínio 

Em seus primeiros anos na corte, as variedade de etiquetas que precisava seguir acabaram tornando Sisi isolada e solitária, o que se não causou a constante melancolia atribuída à nobre, também não a aliviou. 

Sisi já também com o título de Rainha da Hungria. Crédito: Wikimedia Commons

 

Já muito mais tarde em sua vida, durante a década de 1880, quando a imperatriz já tinha dois filhos, o herdeiro Rudolf e a arquiduquesa Gisela (um terceiro rebento não teria sobrevivido à infância), Isabel falava constantemente em suicídio, alarmando aqueles que conviviam com ela. 

O suicídio levado a cabo por seu filho herdeiro juntamente à namorada não ajudou no estado de saúde mental de Sisi. “A bala de Rudolf matou minha fé”, teria dito ela à sua dama de companhia, segundo apurado pela historiadora Brigitte Hamann

Morte por um anarquista 

A imperatriz da Áustria viajou sempre que teve a oportunidade para a Hungria, Grécia, Inglaterra, Irlanda e Suíça. “Quero estar sempre em movimento”, escreveu, de acordo com Hamann. “Cada navio que vejo navegando me enche do maior desejo de estar nele.”

Fotografia de Sisi cavalgando com marido. Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi em uma dessas viagens que Sisi alcançou seu fim, em Genebra, na Suíça. Embora usasse um nome falso, foi reconhecida pelo anarquista italiano Luigi Lucheni. Naquele período, estava se tornando muito comum o assassinato de figuras que estavam à frente de regimes pelo movimento anarquista, como forma de protesto violento.

Embora Luigi estivesse na Suíça para tirar a vida do príncipe Henri de Orléans, contudo a visita do nobre à Suíça foi cancelada, coincidentemente ao mesmo tempo em que vazou a informação da presença da imperatriz no país, o que levou o anarquista a mudar seu alvo. 

Ele esfaqueou Sisi no peito quando ela estava prestes a entrar em um navio. A nobre prosseguiu com o embarque normalmente, tendo aparentemente pensado que levou um soco somente. Contudo, já dentro do navio, a imperatriz desmaiou, e acabou morrendo ali mesmo de hemorragia interna, não tendo conseguido resistir até a chegada de médicos. 

Em suas próprias palavras, a mulher descreveu sua vida em seus escritos da seguinte forma: “Eu amei, vivi, vaguei pelo mundo. Mas nunca alcancei aquilo pelo qual buscava”.


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