Matérias » Europa

Vikings escandinavos levaram hanseníase para a Irlanda

Estudo de esqueletos encontrados na Ilha mostra que a lepra pode ter sido um legado deixado pelos guerreiros nórdicos

Vinícius Buono Publicado em 16/09/2019, às 08h00

Barcos Vikings
Barcos Vikings - Reprodução

O exame de cinco esqueletos descobertos na Irlanda revelou que os vikings escandinavos podem ter levado a hanseníase para o território. 

A doença, também conhecida pelo nome popular de lepra, é causada pelas bactérias Mycobacterium leprae ou Mycobacterium lepromatosis e aflige a humanidade há milhares de anos. Um esqueleto de 4.000 anos encontrado na Índia é o caso mais antigo que se tem notícia.

O estigma que a acompanha também vem de muito tempo, tanto por causa dos efeitos degenerativos da doença quanto pela capacidade de contágio - antigamente imaginada como mais alta do que realmente é. A mazela ganhou até importância bíblica quando Jesus Cristo curou os leprosos, ignorando totalmente esses preconceitos.

Como e quando a doença teria chegado à ilha era um mistério para os pesquisadores do país. Agora, evidências apontam para os vikings que lá desembarcaram no século 9.

A localização da Irlanda, no extremo ocidente do continente europeu, também foi um fator determinante na escassez de relatos sobre a lepra na Idade Média. Enquanto isso, britânicos e franceses criavam leprosários, casas de internação compulsória aos doentes. Por mais que a ilha não fosse totalmente isolada, a distância dificultava que a doença chegasse até lá com facilidade, já que ela é advinda, provavelmente, do Oriente Médio e da Escandinávia. 

A hanseníase tem tratamento e cura, apesar dos preconceitos que ainda a cercam. A Organização Mundial de Saúde disponibiliza os medicamentos. O Brasil é o país com o segundo maior número de casos no planeta, perdendo apenas para a Índia.