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Vitima de cyberbullying e o escândalo de Bill Clinton: a saga de Monica Lewinsky

Após virar o centro das atenções da política norte-americana, a mulher se tornou ativista e luta contra o assédio digital

Penélope Coelho Publicado em 26/12/2020, às 09h00 - Atualizado em 27/12/2020, às 09h22

Fotografia de Monica em 1997
Fotografia de Monica em 1997 - Wikimedia Commons

O nome de Monica Samille Lewinsky foi um dos mais comentados no final da década de 1990, quando esteve envolvida em um escândalo sexual com o então presidente dos Estados Unidos,Bill Clinton.

Aos 22 anos Lewinsky passou de estagiária para uma figura da cultura pop norte-americana de maneira repentina, tornando-se uma das primeiras vítimas do chamado cyberbullying, antes mesmo das redes sociais. Duas décadas depois do ocorrido, Monica usa sua experiência para militar contra o assédio virtual.

Antes de Bill

Nascida em 23 de julho de 1973, na Califórnia, Estados Unidos, Monica Samille Lewinsky, é filha de um médico e de uma escritora. Seus pais se separaram no final da década de 1980, esse fato teve efeito significativo em sua vida, deixando a jovem abalada.

Após terminar o ensino médio, a norte-americana se matriculou em uma faculdade comunitária, graduando-se em psicologia no ano de 1995. Com a ajuda de um conhecido, a estudante conseguiu um estágio não remunerado para trabalhar na Casa Branca e assim se mudou para Washington, em julho daquele ano.

O escândalo

Na mesma época, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, foi acusado por sua ex-funcionária Paula Jones, de ter cometido assédio sexual. Na ocasião, os advogados da mulher realizavam investigações a fim de comprovar o padrão de comportamento do político, chegando assim, ao nome de Lewinsky.

De acordo com os funcionários do local, a jovem passava muito tempo com o presidente, chegando até mesmo a ser transferida para o Pentágono. Chamada para depor no caso de Jones, Monica inicialmente negou ter tido qualquer tipo de contato ou relação sexual com Clinton, o homem fez o mesmo.

Bill Clinton em 1993 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista coletiva na Casa Branca no ano de 1998, Bill citou Monica dizendo que “não teve relações sexuais com Lewinsky”, as palavras do presidente fizeram com que todo o interesse do mundo se voltasse para a estagiária. Seu nome dominou a internet, quando diversos comentários maldosos eram feitos sobre ela, mesmo antes das redes sociais.

Após serem chamados para um grande júri, Lewinsky afirmou ter tido nove encontros sexuais no Salão Oval com o presidente Clinton entre novembro de 1995 e março de 1997, mas, negou ter consumado o ato sexual.

Um vestido azul de Monica manchado com sêmen de Clinton se tornou uma evidência do caso, com isso, Bill afirmou ter tido uma “relação imprópria” com a estagiária. Na época, as acusações de crimes graves e contraversões levaram ao processo de impeachment do presidente pela câmara dos representantes, sendo absolvido posteriormente pelo Senado.

Vida após escândalo

Depois de se tornar uma espécie de celebridade em meio a um escândalo da política dos Estados Unidos, a norte-americana se afastou como pôde e até mesmo se escondeu para evitar aparecer na mídia.

Bill Clinton e Monica Lewinsky / Crédito: Wikimedia Commons

 

A mulher se considera a “paciente zero” do assédio virtual e afirma ter conseguido “sobreviver aos ataques” com o auxílio de um hobbie: fazendo tricô. Alguns anos depois, ela levou seu passatempo além e desenvolveu uma linha de bolsas. No início dos anos 2000, a ex-estagiária passou a aparecer em comerciais de televisão vendendo produtos para dieta. Contudo, aos poucos foi sumindo da mídia.

Ela ressurgiu em 2014, após se tornar ativista social. Manifestando-se contra o cyberbullying e contando sua experiência em palestras, chamando a atenção para o assédio virtual.

“Surgiu um mercado em que a humilhação pública é uma moeda e a desonra pública, uma atividade econômica. Como se ganha dinheiro? Com cliques. Mais vergonha, mais cliques. Quanto mais visualizações, mais receitas de publicidade. Alguém está ganhando dinheiro com o sofrimento de outras pessoas”, disse Monica durante sua conferência TED, realizada em 2015.


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