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Vítima do patriarcado: Neha Paswan, a indiana morta por usar um jeans

Caso aconteceu na semana passada no país asiático e chocou pela brutalidade cometida por familiares da vítima

Fabio Previdelli Publicado em 30/07/2021, às 10h20

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Imagem ilustrativa - Pixabay

Uma pesquisa feita em 2018 pela Fundação Thomson Reuters apontou que a Índia é o país mais perigoso do mundo para as mulheres viverem, não só pelo risco de sofrerem violência sexual, como também de serem escravizadas.  

No mesmo ano, um estudo do Lancet Global Health mostrou que as taxas de feminicídio no país são alarmantes, já que a Índia registrou mais de 239 mil mortes de meninas, de até cinco anos, nos últimos 12 meses — o que representa, em números proporcionais, 2,4 milhões de mortes por década.  

Mergulhada no patriarcado, a sociedade indiana segue oprimindo as mulheres cada vez mais. Como aponta matéria da BBC, em pequenas cidades e áreas rurais, as mulheres vivem sob severas restrições de seus maridos ou familiares, que muitas vezes as impõem o que vestir, o que fazer, quando fazer e, quando permitem, com quem podem fazer. Qualquer fuga dessa tirania pode representar uma severa punição.  

O caso mais recente dessa repressão contra as indianas aconteceu na semana passada com Neha Paswan, que tinha apenas 17 anos. Como relata matéria do G1, a jovem foi espancada até a morte por familiares que discordaram da roupa que ela usava. Uma simples calça jeans.  

Segundo relatos de sua mãe, Shakuntala Devi Paswan, à BBC Hindi, Neha sofreu brutais golpes de varas de seu avô e seus tios.

A discussão teria começado quando ela chegou em sua casa, que fica na vila de Savreji Kharg no distrito de Deoria — uma das regiões mais pobres e menos desenvolvidas do estado de Uttar Pradesh, no norte do país. 

"Ela manteve um jejum religioso de um dia inteiro. À noite, ela vestiu jeans e um top e fez seus rituais. Quando seus avós se opuseram ao seu traje, Neha respondeu que jeans eram feitos para serem usados e que ela iria usá-los", relata Devi

Foi então que a discussão se tornou incontrolável. Shakuntala conta que, após sofrer vários golpes, a filha caiu inconsciente. Com isso, seus sogros ligaram para um tuk tuk, um meio de transporte local, e informaram que levariam Paswan para o hospital.  

"Eles não me deixaram acompanhá-los, então alertei meus familiares. Eles foram ao hospital distrital procurando por ela, mas não conseguiram encontrá-la”, recorda a mãe sobre os momentos de angústia que viveu em busca da filha. 

O corpo encontrado 

O paradeiro de Neha só foi descoberto na manhã seguinte, relata a mãe da jovem, depois que os moradores da região disseram que o corpo de uma menina estava pendurado na ponte sobre o rio Gandak, que cruza a cidade. Chegando lá, ela constatou que tratava-se da filha.  

Como informa a BBC, a polícia trata o caso como assassinato e destruição de provas. Com isso, 10 pessoas passaram a ser investigadas: além dos tios, avós e primos, o motorista do tuk tuk também foi acusado no caso. Segundo Shriyash Tripathi, chefe de polícia local, quatro deles já foram presos: seus avós, um de seus tios e o motorista. Mas as buscam não param por aí.  

Após saber da morte da filha, seu pai, Amarnath Paswan, que trabalha em uma cidade a mais de mil quilômetros de distância, voltou às presas para casa, se dizendo muito abalado com que aconteceu, recordando que sempre trabalhou muito para que seus filhos pudessem estudar e ter uma vida melhor. 

Devi diz que a filha sonhava em ser policial, mas lamente que agora os "seus sonhos agora nunca serão realizados". A mulher ainda disse que seus sogros sempre pressionaram Neha para que ela deixasse de estudar e que eles sempre a reprendiam por usar roupas diferentes das tradicionais do país. 


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