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'Viúva da Mega Sena': o tétrico caso da mulher que foi acusada de ter mandado matar o marido

Após ganhar uma fortuna de 52 milhões de reais na Mega-Sena, Renê Senna foi cruelmente executado no Rio de Janeiro no ano de 2007

Alana Sousa Publicado em 19/02/2021, às 15h00

Adriana Almeida ao lado do marido, Renné Senna
Adriana Almeida ao lado do marido, Renné Senna - Divulgação

Aos 52 anos, Renê Senna mal podia acreditar no que lhe havia acontecido. Após arriscar sua sorte, fora premiado com 52 milhões de reais pela Mega-Sena, a maior loteria do Brasil. Aquele julho de 2005 prometia mudar a vida do lavrador de terra; de fato mudou, para pior.

Residente do Rio de Janeiro, Renê morava com sua esposa, Adriana Almeida, que viria mais tarde a ser conhecida como ‘Viúva da Mega-Sena’. Por quase dois anos a vida parecia tranquila, com sua nova fortuna, Senna foi capaz de realizar sonhos que por anos estavam adormecidos.

Por muito tempo a realidade de Renê mostrou os mais variados tipos de dificuldade. Devido à diabetes, o homem precisou amputar partes das duas pernas, o que o colocou em uma cadeira de rodas permanentemente. Sobreviveu a maior parte da vida com pouco dinheiro, em uma situação de pobreza.

Assim, quando ganhou aqueles 52 milhões de reais, muitos viram uma oportunidade de lucrar em cima de sua sorte. Com uma casa que valia 9 milhões de reais, o lavrador cuidava de gados e cavalos, mantendo antigos hábitos. Frequentando seus bares favoritos, ele dizia que jamais se mudaria de Rio Bonito, embora tivesse contratado seguranças para acompanha-lo pelo município.

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Renê Senna / Crédito: Divulgação

Um comerciante da região, Olívio Ferreira, contou em entrevista que “Renê era um santo. Tinha gente que se aproveitava disso”. Não eram raras as ocasiões que Senna dava dinheiro para desconhecidos. Como prova de sua generosidade, comprou imóveis para todos os seus irmãos.

A principal interessada nessa herança: sua própria companheira. Aos poucos, o que parecia um sonho foi se tornando mais parecido com um pesadelo. Se por um lado, Senna mantinha sua simplicidade apesar da bolada que tinha ganhado, Adriana mudou drasticamente. Largou o emprego, começou a andar em carros de luxo, passou por inúmeras cirurgias plásticas e reproduziu o guarda-roupa das modelos mais famosas da década.

Sua cartada mais ousada foi pedir para o marido incluir seus parentes no disputado testamento, o que ele acatou como prova de seu amor. Entretanto, pouco tempo depois, Renê descobriu que a esposa havia sacado uma grande quantidade de dinheiro sem lhe avisar.

Atordoado, ele decidiu confrontar a mulher, já desconfiado da infidelidade de Adriana, Senna tomou uma atitude drástica: decidiu excluí-la de seu testamento. Mal sabia ele que, naquele momento, estava assinando seu atestado de óbito.

O crime brutal

Era 7 de janeiro de 2007, por acaso, naquele dia o lavrador estava sem seus seguranças no bar do Penco — um de seus favoritos. De repente, dois homens em uma moto chegaram e atiraram quatro vezes em Renê, que não resistiu e morreu no local.

A perícia confirmou que as balas acertaram o queixo, o olho esquerdo, a nuca e a têmpora esquerda da vítima. Rapidamente, a polícia iniciou uma investigação; a primeira teoria foi de latrocínio, porém os pertences valiosos de Senna não haviam sido levados, a tese de assassinato encomendado, então, entrou em cena.

Com as diversas acusações dos familiares do milionário, os detetives começaram a suspeitar de Adriana. O fato de ela ter passado a virada de ano com o amante, foi um fator decisivo. A questão principal parecia ser a herança, a ‘Viúva da Mega-Sena’ queria metade do prêmio e iria lutar por ele até o final.

Passou quase um mês até que Almeida foi capturada, entre fugas da polícia e duas tentativas de linchamento, a criminosa foi detida pelas autoridades do Rio de Janeiro no dia 29 de janeiro. O inquérito durou até março daquele ano, quando a polícia concluiu que sete pessoas teriam participado de alguma forma na trama para matar Senna.

Adriana Almdeida em julgamento / Crédito: Divulgação

 

Eram eles: o motorista e amante Robson de Andrade Oliveira; outro amante da homicida e autor dos disparos fatais Anderson Souza; os ex-seguranças de Renê, Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral; o cúmplice que estava na moto, Ednei Gonçalves Pereira; a professora Janaína Oliveira e, claro, Adriana.

Apesar dos esforços da viúva de conseguir um álibi para o dia do crime, vários de seus comparsas confessaram a sua participação decisiva na execução.

Julgamento

Assim como o caso em si, o julgamento também foi conturbado. Em 2009, dois anos após o fatídico dia, Anderson Silva Souza e Ednei Gonçalves Pereira foram condenados a 18 anos de prisão pela morte de Renê.

Trocando de advogados frequentemente, enquanto tentava evitar sua condenação, Adriana também disputava a herança com a única filha do falecido, Renata Senna. Levada ao tribunal apenas em 2011, Almeida foi absolvida de todas as acusações, o que chocou tanto o público que acompanhava os desdobramentos do caso, como os parentes da vítima.

Adriana dentro do tribunal / Crédito: Divulgação

 

Em uma declaração, o advogado Sebastião Mendonça, que representava os irmãos de Senna, enfatizou que Adriana “tinha interesse na lavratura do testamento, assim como na morte do testador, tanto é que foi condenada pelo Tribunal do Júri de Rio Bonito, tornando-a indigna de ser beneficiária do testamento”.

Três anos mais tarde, a luta por justiça, finalmente teve uma reviravolta. Em 2014, o Tribunal de Justiça anulou o julgamento, isso, pois, dois jurados haviam tido contato entre si, o que é proibido durante um processo.

O novo julgamento foi realizado em dezembro de 2016. Por fim, Almeida iria pagar por tudo: ela foi condenada a 20 anos de prisão; além disso, o testamento que lhe beneficiava foi anulado.  De acordo com o joranl Extra, com comportamento exemplar, a mandante da morte do marido hoje cumpre pena em regime semiaberto.


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