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Viuvez e perdas: A vida íntima da imperatriz consorte Amélia

A segunda mulher do imperador Dom Pedro I teve uma breve passagem pelo Brasil e a história marcada por sofrimento

Penélope Coelho Publicado em 27/06/2020, às 08h00

Amélia de Leuchtenberg
Amélia de Leuchtenberg - Wikimedia Commons

Após a morte sofrida da Imperatriz Leopoldina, Dom Pedro I teve que encontrar outra mulher para se tornar sua esposa. Assim caiu nos braços de Amélia Augusta Eugênia Napoleona, uma nobre de origem mediterrânea, que com apenas 17 anos chegou a um país desconhecido e teve que assumir cinco enteados num império já estabelecido.

Apesar de sua trajetória marcada por grandes perdas, Amélia passou um curto período no Brasil, no entanto, não foi impedida de realizar grandes feitos na corte e trouxe algumas referências europeias para a corte, a fim de também deixar o seu toque e estilo em seu mais novo país.

Primeiros anos

Antes de se casar com Dom Pedro I, Amélia de Leuchtenberg teve sua vida baseada da Europa. Nascida em Milão, no dia 31 de julho de 1812, a mulher foi a quarta filha do Duque de Leuchtenberg, filho adotivo do imperador francês Napoleão Bonaparte, com Augusta da Baviera.

Sua vinda ao mundo coincidiu com a queda do período napoleônico. Como consequência, desde muito pequena ela teve que se mudar para Munique, na Alemanha, onde passou toda sua infância e adolescência.

Apesar de saber da fama do imperador, quando seu nome foi cogitado para se casar com Dom Pedro I, Augusta — mãe de Amélia — sentiu que essa união poderia melhorar a situação de sua filha na nobreza.

Retrato da Imperatriz Dona Amélia / Crédito: Wikimedia Commons

 

União breve

A imagem de Dom Pedro I não era boa na Europa. Todos sabiam de seu caso com a Marquesa de Santos, mas, mesmo assim, o homem estipulou uma série de exigências para seu novo casamento. Pedro queria que sua nova esposa fosse: bem nascida, bela, virtuosa e culta.

Depois de uma série de outras propostas problemáticas, o casamento foi arranjado para que fosse realizado o mais breve possível. No ano de 1829, a união oficial foi assinada na Inglaterra e ratificada em Munique, pela mãe de Amélia. A duquesa chegou ao Brasil em novembro, e desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, sendo recebida pelo seu marido — que demonstrou felicidade ao ver a beleza de sua esposa.

Quando se instalou no palácio de São Cristóvão, Amélia fez algumas ressalvas para que se sentisse mais próxima de casa, por isso, ela instalou o francês como língua oficial da corte, além e cuidar pessoalmente de detalhes do local, como, a comida que era servida e a decoração do ambiente. O objetivo da nobre era deixar seu novo lugar um pouco mais refinado.

Apesar de todo o histórico de seu marido, a duquesa se deu muito bem com seus enteados e tinha um afeto especial pelas crianças. Contudo, seu período de estadia no Brasil foi muito curto, cerca de um ano. Ela ainda estava tentando aprender a língua quando seu esposo abdicou do trono e Dona Amélia teve que retornar para a Europa.

Essa volta viria a ser muito dura para a nobre — que tinha acabado de descobrir que estava grávida, daquela que seria sua única filha.

Dias infelizes

Agora com o título de Duquesa de Bragança, a viagem de navio de volta para a Europa foi extremamente complicada para a imperatriz. Devido à sua gravidez, a mulher sofreu de fortes enjoos durante esse longo trajeto.

Amélia se sentia triste por ter deixado seu querido enteado Dom Pedro II para trás. Seus sentimentos foram escritos em cartas: “Adeus, menino querido, delícia de minha alma, alegria dos meus olhos, filho que meu coração tinha adotado”, declarou a duquesa.

A relação próxima com o marido, agora ficaria mais distante, enquanto Amélia se estabeleceu na França, Pedro I seguiu para Londres, em uma luta constante contra seu irmão Miguel I. Sozinha, a mulher deu à luz a sua única filha, Maria Amélia.

Amélia de Leuchtenberg e sua filha, Maria Amélia de Bragança / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Agora com toda sua família de volta para Portugal, aquele que deveria ser seu momento mais feliz, na realidade, foi o mais difícil de sua vida. Com a saúde frágil, o imperador faleceu em 24 de setembro de 1834, em decorrência de tuberculose.

Com somente 22 anos e desolada com a perda, a imperatriz nunca mais se relacionou com ninguém e decidiu focar suas energias nos pedidos feitos por seu marido e no cuidado de sua filha.

Em cinco anos de casamento, os historiadores contam que o casal passou apenas três desses anos juntos. Apesar da breve união, o imperador marcou para sempre a vida de Amélia. Segundo a especialista Claudia Witte, para Dona Amélia, Dom Pedro I havia deixado uma imagem quase angelical, bem diferente de seu outro casamento.

Alguns anos depois, após sua filha noivar com o arquiduque Maximiliano da Áustria, em 1852, mais um período difícil estava por vir. Maria Amélia começou a apresentar sintomas de tuberculose, desesperada com a situação, sua mãe financiou muitos estudos para tentar descobrir a cura para a doença, mas, a princesa não aguentou e faleceu.

Dessa perda, a imperatriz nunca foi capaz de se recuperar. Porém a mulher juntou todas as forças que ainda a restavam e ajudou na construção de um hospital para amparar a população carente da Ilha da Madeira, em Portugal, a instituição Princesa Dona Maria Amélia.

A imperatriz visitou o túmulo de sua filha todos os dias, até que não aguentasse mais. A duquesa faleceu em 26 de janeiro de 1873, aos 60 anos, em Lisboa. Sem nenhum herdeiro vivo, Dona Amélia acabou falecendo sozinha.

Seu corpo foi transportado para São Paulo, para integrar a cripta do Monumento à Independência. Entretanto, mais de cem anos após sua morte, a imperatriz surpreendeu a todos mais uma vez, quando uma descoberta inesperada foi revelada: seu corpo havia sido totalmente mumificado.


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