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William Burke e William Hare: a dupla da Era Vitoriana que matava pessoas e vendia cadáveres

Os psicopatas encontraram uma maneira nada convencional e completamente doentia de conseguir um bom dinheiro

Caio Tortamano Publicado em 24/07/2020, às 19h00

Gravuras com o retrato de Burke e Hare, respectivamente
Gravuras com o retrato de Burke e Hare, respectivamente - Wikimedia Commons

A Era Vitoriana continua sendo uma caixinha de surpresa quando se trata da revelação de casos bizarros e macabros, e com certeza os assassinatos cometidos por Burke e Hare estão entre os mais chocantes. A dulpa promoveu 16 mortes em um período de 10 meses em 1828, na capital escocesa de Edimburgo.

A cidade era um dos maiores centros de estudos anatômicos em toda a Europa. Na época, o corpo humano já era tão explorado que não havia mais tantos defuntos disponíveis de maneiras lícitas para estudos e aulas. Foi nesse contexto que a dupla teve uma ideia bizarra.

Uma carreira de crimes

William Hare se deparou com a chance de fazer um dinheiro extra depois que um inquilino que morava em sua propriedade morreu. Para ajudá-lo, chamou seu amigo William Burke. Juntos, encontraram um professor de anatomia interessado em comprar o cadáver, era Robert Knox.

Esse foi o começo de uma busca doentia por dinheiro. Hare utilizou de seu estabelecimento para encontrar vítimas vulneráveis que seriam alvo dos ataques macabros, foi assim pelo menos com o segundo cadáver que vieram a vender — também para Knox. A pobre vítima foi uma inquilina apresentava fortes sinais de gripe, e, preocupado que ela espantasse outros possíveis hóspedes, matou a doente e vendeu o seu corpo.

A partir daí, uma série de matanças promovidas pela dupla foi desencadeada. Não existe certeza sobre qual foi a ordem dos assassinatos. As primeiras mortes foram por sufocamento. Hare se responsabilizava por tapar boca e nariz das vítimas com às próprias mãos, enquanto o comparsa se deitava sobre a vítima para impossibilitar o movimento.

Esse procedimento foi utilizado em outras vítimas que passaram pelo estaleiro de Hare, e não tiveram a sorte de sair do local com vida. Mas nem todas elas estavam doentes no momento de suas mortes, na verdade, a dupla de assassinos utilizava bebidas alcoólicas para entorpecer as vítimas, assim facilitando todo o processo.

O médico

Robert Knox agradecia por cada um dos corpos que chegavam com quantias generosas  — 10 libras por cadáver, o que no período era um excelente pagamento. O médico, talvez ingênuo ou querendo livrar a própria barra, nunca fazia perguntas a respeito da procedência desses corpos, somente agradecia e elogiava o aspecto “fresco” de todos eles, como se tivessem morrido há pouco — o que era fato.

O renomado doutor Robert Knox / Crédito: Wikimedia Commons

 

A natureza fria que ele aparentemente tinha pode ser explicada por sua experiência como médico de guerra — tendo atuado, inclusive, na história batalha de Waterloo. Porém, apesar disso tudo, era um profissional muito reconhecido no meio médico, fazendo parte do Royal College of Surgeons of Edinburgh, ministrando aulas de anatomia. 

Burke e Hare

Antes de se tornarem assassinos, os dois levavam vidas aparentemente normais. Burke, nascido na Irlanda, se separou de sua primeira esposa depois de uma briga com seu sogro e se mudou para a Escócia. Lá, encontrou sua segunda mulher, Helen McDougal, e William passou a trabalhar com couro, se tornando reconhecido no meio.

Já Hare conheceu o comparsa quando trabalhava em colheitas, antes mesmo do trabalho com couro. Os dois, de personalidades diferentes — sendo Hare violento e mal encarado, enquanto Burke simpático e alegre — se tornaram amigos, e dividiram uma reputação nada nobre de serem beberrões.

Desconfiança e fim da matança

Ann e James Gray eram dois inquilinos da hospedaria onde os assassinatos ocorreram. Em outubro de 1828, foram pagos por Hare para ficarem em uma hospedaria vizinha durante a noite, porque a outra inquilina, uma senhora irlandesa chamada Margaret Docherty, era supostamente uma familiar e queriam ter mais espaço para celebrar esse encontro.

A verdade é que os Gray eram representavam verdadeiros obstáculos para os assassinos, que não queriam testemunhas presentes depois que matassem a senhora por sufocamento e escondessem o corpo. No dia seguinte, os outros inquilinos voltaram, e Ann achou muito estranho o dono da estalagem não deixar que ela chegasse perto de uma cama onde tinha deixado seus pertences.

Hospedaria de William Burke, onde grande parte dos assassinatos ocorreu / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante a tarde, porém, James e Ann ficaram sozinhos no lugar, e acharam o corpo de Docherty embaixo da palha. Os dois foram imediatamente alertar a polícia, enquanto Burke e Hare se preparavam para levar o corpo com o objetivo de venda.

A polícia chegou ao local e encontrou diversas manchas de sangue em roupas. As suspeitas aumentaram ainda mais quando William Burke e sua esposa — também cúmplice dos casos assim como McDougal — não deram horários idênticos a respeito da saída de Margaret da hospedaria. Os policiais finalmente encontraram a antiga hóspede, morta na sala de dissecação onde Knox dava suas aulas.

Execução irônica

Burke foi apontado nas investigações e testemunhos como a mente por trás dos 16 assassinatos apontados como sendo da autoria da dupla. Por isso, foi julgado e condenado à forca, sendo executado em janeiro de 1829 em frente de um público de, aproximadamente, 25 mil pessoas.

Para provar de seu próprio veneno, seu cadáver foi postumamente utilizado em uma dissecação, durante uma aula, que teve o acompanhamento da polícia. O esqueleto de Burke foi separado e entregue para a Edimburgh Medical School, onde permanece até hoje.

Hare teve uma pena muito mais leve, sendo liberado da prisão em fevereiro de 1829. O homem, entretanto, teve que se mudar de Edimburgo disfarçado. Logo depois de sair da cidade, em sua primeira parada, foi identificado por um homem que espalhou a notícia que o assassino estava na cidade.

Uma multidão furiosa se juntou na frente da hospedaria onde passaria a noite, e a polícia interveio para que o homem fugisse em segurança. Ninguém nunca mais ouviu falar dele.

Já Knox se recusou a dar qualquer declaração a respeito do caso. Assim, a opinião pública entendeu que ele era responsável direto pelos acontecimentos e assassinatos da dupla. Ao longo dos anos, sua reputação decaiu com razão.


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