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William de Orange, o curioso pombo da Segunda Guerra que salvou soldados britânicos

William foi um dos únicos a retornar ao Reino Unido trazendo informações sobre batalha que poderia ter mudado os rumos do conflito

Fabio Previdelli Publicado em 15/08/2020, às 09h00

Pombo-correio do Exército Suíço usado na Primeira Guerra Mundial
Pombo-correio do Exército Suíço usado na Primeira Guerra Mundial - Wikimedia Commons

Pombos-correios há muito tempo desempenharam um papel importante em diversos conflitos. Devido a sua capacidade de localização, velocidade e altitude, eles eram frequentemente usados como mensageiros militares.

Muitas dessas aves, inclusive, foram usadas para levar mensagens durante as duas grandes guerras. De todos os pombos usados nesse período, 32 deles foram honrados com a PDSA Dickin Medal — medalha dedicada aos animais que foram fundamentais para salvarem vidas humanas, ou aqueles que foram mortos ou seriamente feridos durante o combate.

Feitas de bronze, as insígnias carregavam os dizeres “Por Bravura, Nós Também Serviremos” e eram transpassadas por uma fita de faixa verde, marrom e azul, o que representava a água, a terá e o ar — e também fazia alusão à Marinham ao Exército e à Aeronáutica.

O pombo William de Orange e a PDSA Dickin Medal / Crédito: Wikimedia Commons

 

A honraria era mais que merecida, afinal, os trabalhos de um pombo-correio eram perigosos. Soldados inimigos próximos, muitas vezes, tentavam abatê-los, já que aves soltas sempre levavam mensagens importantes.

Alguns destes pombos se tornaram famosos entre os soldados de infantaria com quem “trabalharam”. Um pombo, chamado "O Mocker", voou 52 missões antes de ser ferido. Outro, chamado " Cher Ami ", perdeu o pé e um olho, mas não deixou de cumprir sua missão, o que salvou a vida de um grande grupo de soldados de infantaria americanos que estavam cercados.

Porém, entre todos eles, uma das histórias que mais se destaca é a de William de Orange. Mas o que o animal fez de tão notório assim?

No Natal de 1944, começou a ousada Batalha de Arnhem. Três dias após o início dos conflitos, as forças britânicas estavam em apuros, principalmente após ficarem impossibilitados de enviarem mensagens pedindo apoio, afinal, seus rádios não estavam funcionando.

Eis que surge a figura de Will, pombo de guerra do serviço de inteligência militar britânico MI14, que era a última esperança dos soldados fazerem contato com reforços. Porém, diante de qualquer deslize ou ferimento causado no pombo, as tropas britânicas estariam fadadas ao fracasso.

Assim, o animal foi solto às 10h30 de 19 de setembro de 1944 e chegou ao seu ninho na Inglaterra às 14h55. O que significa que ele voou cerca de 420 quilômetros em apenas 4 horas e 25 minutos. Sua mensagem foi uma das poucas a chegar de volta ao Reino Unido.

Pombo-correio do Exército Suíço usado na Primeira Guerra Mundial / Crédito: Wikimedia Commons

 

A nota anexada ao pé de William transmitia a notícia às autoridades britânicas de que os paraquedistas na ponte de Arnhem estavam isolados e necessitavam desesperadamente de apoio aeroespacial para lutar contra as forças alemãs. 

Recentemente, a história de Will — assim como os outros 31 pombos que receberam a PDSA Dickin Medal — foi homenageada em uma exposição realizada em janeiro de 2014, na Grã-Bretanha.

Na época, em entrevista ao Daily Mail, o gerente geral da Royal Racing Pigeon Association, Stewart Wardrop, disse que a história de William merecia reconhecimento. “William levou quatro horas e 25 minutos para voar 260 milhas de volta à Grã-Bretanha, o que foi um recorde”, comenta.

“Quando você considera que ele teria ficado preso em uma gaiola por dias e então solto sob o fogo dos alemães e então voado 135 milhas em mar aberto sem pontos de navegação e ainda voltado para casa, foi uma grande conquista”.


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