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Há exatos 131 anos, William Kemmler se tornava o primeiro a ser executado em uma cadeira elétrica

Visto como uma alternativa ‘mais humana’ para o enforcamento, o uso da eletrocussão causou ‘horrível espetáculo’ em sua primeira execução

Fabio Previdelli Publicado em 06/08/2021, às 07h00

Esboço da execução de William Kemmler, 6 de agosto de 1890
Esboço da execução de William Kemmler, 6 de agosto de 1890 - Domínio Público/ Wikimedia Commons

Até 1889, qualquer pessoa condenada à morte nos Estados Unidos tinha como destino a forca. Porém, como explica matéria do History, o método não era visto de uma maneira tão ‘humana’ assim, afinal, um condenado poderia ficar pendurado pelo pescoço quebrado por até 30 minutos antes de morrer por asfixia. 

Dessa forma, uma maneira mais ‘digna’ de dar fim a uma pessoa precisaria ser criada. A alternativa encontrada para isso veio de uma sugestão dada desde 1881 pelo dentista Albert Southwick: a eletrocussão.  

Tudo começou, conforme explica o History, quando o doutor viu um homem bêbado morrer, “sem dor” alguma, após encostar nos terminais de um gerador elétrico em Buffalo, Nova York.  

Assim, naquele ano, a Lei de Execução Elétrica de Nova York entrou em vigor, com a primeira morte pelo método acontecendo em 6 de agosto de 1890. Conheça mais sobre o crime e a execução de William Kemmler

O crime e o criminoso 

Filho de imigrantes alemães, William Kemmler nasceu em 1860 na Filadélfia. Conforme aponta dados da NNDB, site que possui um acervo com mais de 40.000 notas e detalhes biográficos de pessoas, seus dois pais eram alcoólatras.

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Retrato de William Kemmler/ Crédito: Domínio Público

Seu pai teria morrido por infecção em uma ferida que adquiriu durante uma briga quando estava bêbado; já sua mãe morreu por complicações causadas pelo vício.

Após a perda de sua base familiar, Kemmler passou a trabalhar como mascate. Nas horas livres, o “Filadélfia Billy”, como era apelidado, protagonizava grandes bebedeiras pelos bares de Bufallo. 

O álcool, inclusive, foi o combustível que o encorajou a cometer o crime pelo qual foi condenado: o assassinato de sua esposa.

O ato foi descrito assim pelo The New York Times na época: “William Kemmler era um vendedor de vegetais nas favelas de Buffalo, Nova York. Um alcoólatra que, em 29 de março de 1888, estava se recuperando de uma bebedeira na noite anterior, quando ficou furioso com sua namorada [que alguns alegam ser sua esposa] Tillie Ziegler”.  

“Ele a acusou de roubá-lo e de se preparar para fugir com um amigo dele. Quando a discussão atingiu o auge, Kemmler foi calmamente até o celeiro, pegou uma machadinha e voltou para casa. Ele atingiu Tillie repetidamente, matando-a. Ele então foi à casa de um vizinho e anunciou que acabara de assassinar sua namorada”. 

No mesmo dia, aponta N. Rudick no artigo ‘Vida e morte pela eletricidade em 1890: a transfiguração de William Kemmler’, publicado no Journal of American Culture, William foi acusado pelo ato.

Seu julgamento foi extremamente rápido, sendo que em 10 de maio ele já havia sido condenado à morte — destinado a ser a primeira pessoa executada em uma cadeira elétrica de acordo com a nova Lei de Execução de Nova York, aponta o NYT. 

A execução 

Após a aprovação da Lei de Execução Elétrica, o History explica que o Edwin R. Davis, o eletricista da Prisão de Auburn, foi contratado para projetar uma cadeira elétrica — que era muito semelhante aos modelos mais contemporâneos, equipada com dois eletrodos, que eram compostos de discos de metal presos com borracha e cobertos com uma esponja úmida. 

Esses eletrodos deveriam ser aplicados na cabeça e nas costas do criminoso. A eficiência do equipamento havia sido testada no dia anterior à execução de Kemmler. Como explica Jonh G. Leyden em uma matéria do Washington Post, um cavalo havia sido morto eletrocutado com o mesmo mecanismo da cadeira.  

Assim, às 5 horas da manhã daquele 6 de agosto, William foi acordado e rapidamente se vestiu com um terno, gravata e uma camisa branca. Após tomar seu café da manhã, relata o The New York Times, ele fez algumas orações e teve o topo de sua cabeça raspado. 

Quase duas horas depois, às 6h38, o criminoso entrou na sala de execução. Lá o diretor Charles Durston o apresentou às 17 testemunhas presentes. “Senhores, desejo boa sorte a todos. Acredito que estou indo para um bom lugar e estou pronto para ir", declarou o condenado, segundo o NYT.  

A primeira cadeira elétrica, utilizada para executar William Kemmler em 1890/ Crédito: Domínio Público

 

De acordo com testemunhas, William estava ciente de seu destino, não tendo gritado, chorado ou resistido de alguma forma. Antes de sentar-se na cadeira, o diretor ordenou que um buraco fosse feito na parte de trás de seu traje para a colocação do cabo elétrico.  

Amarrado à cadeira e com o equipamento de metal colocado em sua cabeça, suas últimas palavras foram: “Pegue leve e faça direito, não estou com pressa”. Durston respondeu como um simples: “Adeus, William”. 

Naquele instante, mil volts foram disparados por 17 segundos no criminoso. De acordo com Leyden, entretanto, após a cadeira ser desligada, muitos notavam que o homem ainda estava vivo, algo confirmado pelos assistentes médicos Edward Charles Spitzka e Carlos Frederick MacDonald

Spitzka então gritou: “Ligue a corrente novamente, rápido — sem demora”. Com o pedido, o dobro da carga foi jogada. Testemunhas disseram que o corpo do sujeito pegou fogo, algo corroborado pelo New York Times:  

"Um odor horrível começou a permear a câmara da morte, e então, para encerrar o clímax dessa visão assustadora, foi visto que o cabelo sob e ao redor do eletrodo na cabeça e a carne sob e ao redor do eletrodo na base da espinha estava chamuscando. O fedor era insuportável”. 

Depois da autópsia feita no corpo, constatou-se que os vasos sanguíneos sob a capa do crânio acabaram carbonizadas. Já a parte superior de seu cérebro ficou rígida. De acordo com AA Gil em ‘The Golden Door: Letters to America’, diversos espectadores ficaram nauseados com a cena.  

Após os oito minutos do “horrível espetáculo”, como um jornal local relatou a execução, o método foi visto com certa polêmica em relação a sua maneira ‘mais humana’ de executar uma pessoa. Conforme relatado por George Westinghouse: "Eles teriam feito melhor usando um machado".


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