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William Shakespeare pagou uma fortuna para ser enterrado na principal igreja de Stratford-upon-Avon

Temendo que seus restos mortais tivessem que ser removidos para vagar a tumba, o escritor amaldiçoou o próprio epitáfio

Rafael Maranhão Publicado em 23/04/2019, às 17h00

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Cidades intituladas “museus a céu aberto” não faltam mundo afora. No caso de Stratford-upon-Avon, esse título se deve a seu antigo morador mais ilustre: William Shakespeare. O maior escritor da língua inglesa nasceu nessa pequena localidade às margens do rio Avon, em 1564, e ali morou até ter pouco mais de 20 anos, voltando somente em 1613, três anos antes de sua morte. O tempo vivido em Stratford foi suficiente para marcar profundamente o lugar, que atrai, hoje, mais de 1 milhão de turistas por ano.

Apesar de a cidade respirar Shakespeare, ainda existem muitas dúvidas a respeito da aparência do dramaturgo. A imagem do escritor na igreja da Divina Trindade, onde ele foi enterrado, é talvez a que mais se aproxime da sua fisionomia verdadeira, já que não há certeza de que alguém que o conhecera pessoalmente tenha pintado seu rosto.

Aliás, o filho mais famoso de Stratford não teve a honra de ser sepultado na igreja da cidade por ser um gênio da literatura. Ele só está ali porque contribuiu com a fortuna de 440 libras (para se ter uma ideia, o escritor comprou sua primeira casa na cidade por 60 libras) para contratar um padre e ajudar a manter a paróquia. Outro detalhe que ainda ninguém comprovou é que Shakespeare teria nascido e morrido na mesma data, 23 de abril, dia de São Jorge, padroeiro da Inglaterra.

A igreja da Divina Trindade, onde Shakespeare foi batizado e enterrado, começou a ser construída em 1210. Diz a lenda que ele temia que seus restos tivessem que ser removidos para vagar a tumba. Por isso, mandou escrever um epitáfio em que pedia bênção aos protetores de sua tumba e amaldiçoava os que movessem seus ossos.

A casa onde Shakespeare nasceu, bem no centro da cidade, foi comprada por seu pai, o fabricante de luvas John Shakespeare, em 1556. Há indícios de que o escritor também tenha morado ali logo após se casar com Anne Hathaway, em 1582. A casa pertenceu à sua família até 1806.

Cidade de Stratford-upon-Avon / Getty Images

Já a casa da família de Anne Hathaway fica a menos de 2 quilômetros do centro de Stratford. Foi lá que a mulher do escritor cresceu e onde ela teria sido cortejada pelo jovem William. A cama de carvalho é original da época e os jardins da casa abrigam esculturas de artistas baseadas em peças de Shakespeare.

A cidade também abriga o teatro Royal Shakespeare, um dos mais importantes palcos do Reino Unido. O espaço, aberto em 1932, passou por uma reforma em 2007, com o objetivo de restaurar os elementos art déco da época da fundação. A reinauguração aconteceu em 2011.

Outro palco importante é o Teatro Swan, às margens do Avon, que abriu as portas em 1986, no mesmo prédio neogótico do antigo teatro Shakespeare Memorial, destruído em um incêndio em 1926. O Swan (“cisne”, em inglês) foi criado para ser uma versão coberta de um típico palco do teatro elizabetano (que era a céu aberto), como os da época em que Shakespeare chegou a Londres, no século 16.