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Willy, o fiel escudeiro de Che Guevara que ficou com o comandante até seu último dia

Um rosto sem camisa, Simeón Cuba Sarabia esteve ao lado de Che em seus últimos dias na Bolívia, incluindo no momento de sua execução

Redação Publicado em 14/06/2019, às 00h00 - Atualizado às 09h00

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- Reprodução

Se Che Guevara pudesse voltar atrás a respeito de uma, apenas uma coisa que escreveu, talvez riscasse de seu diário um trecho de setembro de 1967: “Minhas únicas dúvidas são sobre Willy: ele pode tirar vantagem de alguns combates para escapar sozinho”.

Willy era o apelido de Simeón Cuba Sarabia, um ex-mineiro boliviano de 32 anos, militante comunista que se integrou ao grupo de Che em março de 1967, durante a campanha de Ñancahuazú. Os colegas de guerrilha o viam como corajoso e disciplinado. Talvez por causa da natureza reservada de Willy, Che tenha suspeitado de sua lealdade. Não poderia estar mais enganado.

Em 8 de outubro, quando Che e seus homens foram cercados, Willy tentou achar um jeito de furar o bloqueio do Exército. Che, que o seguia de perto, foi atingido. Willy voltou e arrastou o companheiro para fora da linha de tiro.

Segundos depois, foram cercados novamente. Responderam ao fogo até que um tiro tirou a arma das mãos de Che. Willy novamente o levou para longe dos disparos, colocando-se entre o líder ferido e os inimigos. Exposto, Willy foi atingido vários vezes.

Willy / Crédito: Wikimedia Commons

 

Rendido por soldados, Willy confrontou-os: “Este é o comandante Che Guevara. Tenham respeito!” Willy foi amarrado a Che e levado para La Higuera, onde foram presos em salas separadas. No dia seguinte, Willy foi metralhado por três soldados.

Antes da execução, ele teria dito: “Estou orgulhoso de morrer perto do Che”. Em 1997, seu esqueleto foi achado na Bolívia, na mesma cova que continha os restos de Che. Assim como muitos dos homens que tombaram na última guerrilha do comandante, hoje Willy repousa ao lado dele, em Cuba.