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Wismond Exantus, o homem que sobreviveu sob escombros por 11 dias com cerveja e doce

Ele ficou preso em destroços depois do terremoto que aconteceu no Haiti, em 2010, e foi resgatado mesmo depois das equipes anunciarem o fim das buscas

Isabela Barreiros Publicado em 13/11/2020, às 07h00

O resgate de Wismond Exantus
O resgate de Wismond Exantus - Divulgação - Youtube

Em 12 de janeiro de 2010, o Haiti foi palco de um terremoto que matou ao menos 300 mil pessoas. O sismo trouxe consequências drásticas para o país, agravando a situação de pobreza e o número de pessoas desabrigadas. 

No dia da tragédia e nos seguintes, equipes de resgate se uniram para tentar trazer de volta pessoas que foram soterradas por prédios e construções diversas. A magnitude 7,0 na escala Richter do abalo sísmico fez com que grande parte da capital, Porto Príncipe, fosse destruída.

O terremoto é considerado o quinto mais grave da história, responsável por tirar a vida de milhares de pessoas. No meio de todo esse caos, o caso de Wismond Exantus, então com 24 anos, chamou a atenção e chocou paramédicos. Ele passou ao menos 11 dias sob escombros, sobrevivendo de suprimentos da loja em que trabalhava.

Desabamento

Foi às 16h53 que tudo mudou no Haiti. Naquele minuto, o terremoto fez com que prédios desabassem, pessoas morressem e ruas fossem destruídas. Com um pensamento rápido surgindo em sua mente, Wismond Exantus rapidamente foi para debaixo de uma mesa enquanto trabalhava como caixa em uma loja no Hotel Napoli Inn, na capital do país.

Ele estava preso nos destroços do edifício, mas conseguia movimentar levemente seus braços. Essa pequena possibilidade fez com que ele sobrevivesse. Durante dias, o homem usou como suprimentos o que quer que seus braços alcançassem. 

Em entrevista à AFP, ele explicou: "Sobrevivi bebendo Coca-Cola. Bebia Coca-Cola todos os dias e comi algumas coisinhas doces". Exantus também contou que batatas fritas, cerveja e uísque foram alguns dos principais sustentos durante esse período.

"Senti o tremor e perdi a consciência. Quando acordei, gritei 'Gerald, Gerald!'’, disse, lembrando de outro homem que trabalhava com ele na loja. 

Foram 11 dias de luta para a própria sobrevivência. O homem afirmou que não gritou por ajuda em nenhum momento, mas rezou todo o tempo. Ele também contou que ficava se movendo, com o intuito de chamar a atenção de qualquer um que estivesse na superfície. 

Dias e noites se confundiam, a realidade parecia distante e o sobrevivente imaginava uma realidade diferente da qual estava: quando resgatado, lembrou que sonhou que estava no meio do oceano e até mesmo andando à cavalo. Tudo muito diferente da situação drástica na qual estava.

Resgate

O resgate / Crédito: Divulgação - Youtube

 

Exantus estava nos escombros do prédio há onze dias. As equipes de resgate já tinham terminado seu trabalho, pois a possibilidade de encontrar alguém vivo estava se tornando insignificante. O governo do Haiti anunciou que as operações já tinham chegado ao fim, e os times internacionais estavam indo embora. O contexto não parecia fazer parte de uma história com final feliz. 

Na semana seguinte, catadores de lixo estavam procurando por qualquer coisa que parecesse útil no meio dos destroços da capital e escutaram um barulho quase inaudível, — mas escutaram. Eles alertaram jornalistas, que, por sua vez, comunicaram a informação à Hellenic Rescue Service, uma equipe de salvadores voluntários.

Quatro horas se passaram até que ele foi encontrado no minúsculo espaço no qual havia passado mais de dez dias. A passagem era tão pequena que os homens, membros do grupo, não conseguiam passar. Carmen Michalska, de apenas 1,52 m, foi a única que conseguiu se espremer e, enfim, resgatar Exantus.

Ele havia segurado um celular descarregado durante todo esse tempo e bebeu um gole de uísque nas vezes que queria dormir. Quando o paramédico Gilles Gueney, que auxiliou o resgate, foi questionado se essa era uma atitude indicada para quando se estivesse sob escombros, ele deu de ombros: "Bem, ele está aqui."

Após receber oxigênio e dormir, sendo posteriormente levado a um hospital, ele disse: "Todas as noites eu pensava na revelação de que iria sobreviver. Foi Deus quem estava me colocando em seus braços. Isso me deu forças”.


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