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Witold Pilecki, o soldado polonês que arriscou a vida para denunciar o terror de Auschwitz

O homem se deixou prender e foi enviado para o campo de concentração nazista, porém seu final foi trágico

Letícia Yazbek Publicado em 20/11/2020, às 15h30

Fotografia de Witold Pilecki
Fotografia de Witold Pilecki - Wikimedia Commons

Ainda jovem, o polonês Witold Pilecki lutou por um Estado polonês e tornou-se soldado. Com o início da Segunda Guerra Mundial, foi capitão da cavalaria da Segunda República Polonesa.

Após a queda de Varsóvia para os alemães, Pilecki entrou para a clandestinidade e fundou um movimento de resistência, o Armia Krajowa (Exército da Pátria).

Em setembro de 1940, o polonês deixou-se capturar em uma batida policial em Varsóvia e foi enviado, junto a centenas de presos, ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

A missão de Pilecki tinha como objetivo informar os Aliados a respeito dos horrores praticados pelos nazistas em seus campos de concentração — até então, pouco se sabia sobre esses lugares. O polonês também organizou cerca de mil prisioneiros em grupos de resistência contra as forças nazistas.

Witold Pilecki durante julgamento, em 1948 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por meio de mensageiros, conseguiu enviar relatórios para a Polônia e a Inglaterra. No entanto, as descrições pareciam exageradas, e os Aliados não as levaram a sério. Durante três anos, o polonês sobreviveu à fome, doenças e brutalidade, enquanto via seu grupo de resistência diminuir cada vez mais.

Em 23 de abril de 1943, Pilecki e dois companheiros de cativeiro conseguiram escapar de Auschwitz: sua organização forneceu dados precisos sobre as trocas de guarda e postos de controle. Com documentos falsos, ele se escondeu na Cracóvia.

Em 1944, participou da Revolta de Varsóvia e foi capturado pelo regime, acusado de traição e espionagem. Torturado, foi levado a tribunal e executado em 25 de maio de 1948, vítima de seus próprios compatriotas.

Apesar dos esforços de Pilecki, Auschwitz só foi libertado em janeiro de 1945, após a morte de mais de 1 milhão de prisioneiros.


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