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Tragédia anunciada? Escritor que previu o naufrágio do Titanic morreu na catástrofe

Após escrever um livro mais de duas décadas antes do desastre, Stead embarcou no Titanic — onde faleceu em 15 de abril de 1912

Vanessa Centamori Publicado em 07/04/2020, às 13h30

William Thomas Stead
William Thomas Stead - Wikimedia Commons

Em 15 de abril de 1912, o famoso naufrágio do navio RMS Titanic ceifou a vida de mais de 1,5 mil almas a bordo. A catástrofe não contou com o amor verdadeiro entre Jack ou Rose, mas a história da vida real não deixou de ser surpreende, como a dos telões de cinema.

Em parte porque a tragédia pode ter sido prevista em um livro, muito antes do incidente ter ocorrido. Segundo o site Business Insider, a previsão teria sido feita pelo jornalista e espiritualista William Thomas Stead, em sua obra "Como o navio a vapor afundou no meio do Atlântico por um sobrevivente", escrita em 22 de março de 1886 - mais de duas décadas antes do RMS Titanic naufragar. 

Titanic / Crédito: Wikimedia Commons

 

O que dizia a obra de William Thomas Stead

O livro traz como protagonista um marinheiro chamado Thompson. Ele se preocupa com a quantidade de barcos salva-vidas no deck do navio, fato que também agravou o destraste que ocorreu na vida real com o Titanic.

Na obra, mulheres e crianças a bordo tem preferência nos barcos, mais um fato que parece ser coincidência com o desastre da vida real. Só que a diferença é que não há impacto com um iceberg, mas sim, com um navio menor que navegava na neblina. 

Ilustração dos barcos salva-vidas do Titanic / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Ainda no enredo ficcional, apenas 200 passageiros e membros da tripulação sobreviveram, de um total de 700 pessoas. Thompson é um dos sobreviventes, e ele é resgatado por um dos barcos salva-vidas, que retorna até o local do naufrágio e o retira da água. 

Estranhamente, em seu livro, William Thomas Stead, até cita que um naufrágio, poderá, de fato, ocorrer no futuro. "Isso é exatamente o que pode ocorrer e o que irá acontecer se navios forem enviados para o mar com falta de barcos salva-vidas", escreveu o autor. 

Morte absurda no próprio Titanic

Anos depois de escrever seu livro, pelo o que parece ser uma enorme ironia do destino, Stead faleceu aos 62 anos de idade, dentro do verdadeiro Titanic. Ao longo da vida, ele tinha até citado que estava convencido de que sua morte teria relação com afogamento ou lichamento. 

Setor da primeira classe do RMS Titanic / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O autor encontrou seu triste fim ao entrar na lendária embarcação, pois ele queria ir à Nova York para ir até o congresso pacifista no Carnegie Hall, a pedido do presidente dos Estados Unidos, William Howard Taft.

Segundo informou o jornal The Telegraph, os sobreviventes do Titanic relataram como foram as últimas horas de vida do escritor. Antes de morrer, ele estava animado para um banquete naquela noite. Contou várias histórias emocionantes, incluindo uma sobre a múmia almadiçoada do Museu Britânico. 

Iceberg com o qual o RMS Titanic pode ter colidido / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Mas, logo a seguir, se retirou para a sua cabine, lá pelas 22h30. Uma hora e dez minutos depois, às 23h40, o navio atingiu o iceberg. Ciente do ocorrido, Stead então resolveu ajudar várias mulheres e crianças a entrarem em botes para salvarem suas vidas.

Decidiu, por fim, dar seu colete salva-vidas para outro passageiro. Sem proteção, acabou morrendo na água congelante. Um pouco após a sua morte, seu cadáver foi avistado pelo sobrevivente Philip Mock.

Mock relatou que viu o corpo de Stead ainda agarrado a um bote. "Seus pés ficaram congelados e foram obrigados a se soltar", descreveu o sobrevivente . O corpo do escritor jamais foi encontrado no Atlântico. 

Deck do RMS Titanic / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Outro caso fascinante

Um outro livro de autoria de outro escritor, Morgan Robertson, também foi escrito antes da tragédia e tem semelhanças assustadoras com o real naufrágio do Titanic. Dessa vez, a suposta previsão ocorreu 14 anos antes, em 1898. 

O nome da obra é Futilidade, ou O Naufrágio de Titan. O livro conta a história do transatlântico Titan, que, muito coincidentemente, também bate em um iceberg e vai parar no fundo do Atlântico Norte. 

De modo idêntico ao RMS Titanic, o navio Titan era considerado o maior navio de sua época. Surpreendentemente, até mesmo as dimensões da embarcação descrita pelo escritor e o tamanho do navio da vida real eram próximas. A velocidade com que ambos os navios bateram no iceberg também era praticamente igual. 

O mesmo problema de falta de barcos salva-vidas também apareceu na obra literária. E ainda, Titan afundou em uma noite fria de Abril — fato que ocorreu com o RMS Titanic. Com tamanhas similaridades, o escritor Morgan Robertson foi até chamado de vidente, mas ele negava ter dons do além. "Eu sei sobre o que eu estou escrevendo, isso é tudo", respondia o autor. 


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