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Xuxa e suas músicas ao contrário: a lenda urbana mais famosa do Brasil

Segundo teóricos da conspiração, a Rainha dos baixinhos teria colocado várias mensagens satânicas em suas canções infantis

Pamela Malva Publicado em 24/01/2021, às 12h00 - Atualizado às 22h09

Capa do álbum Xuxa 5, lançado em 16 de julho de 1990
Capa do álbum Xuxa 5, lançado em 16 de julho de 1990 - Wikimedia Commons

Muito além de buscar explicações para fatos supostamente inexplicáveis — como a mudança de aparência de uma cantora, ou uma grande tragédia —, as teorias da conspiração também criam narrativas que, na realidade, não existem.

É isso que acontece, por exemplo, quando mensagens subliminares são encontradas em desenhos ou músicas infantis. Nesse sentido, o backmasking é um dos recursos tidos como mais recorrentes, já que classifica as músicas que, quando tocadas ao contrário, tem uma mensagem teoricamente diferente da escutada normalmente.

Aqui no Brasil, a Rainha dos baixinhos também é considerada pelos teóricos da conspiração como uma especialista em mensagens subliminares. Para muitos, Xuxa esconde diversas frases satanistas e bizarras em suas canções há anos.

A capa do primeiro Xou da Xuxa, CD de compilação da cantora / Crédito: Divulgação

 

Uma mensageira do mal

Tudo começou no final dos anos 1980, quando Xuxa decidiu lançar algumas de suas músicas em coletâneas. Naquela época, curiosos colocaram o disco de vinil da cantora para tocar ao contrário nas vitrolas e, assim, nasceu uma teoria bizarra.

Em resumo, a conspiração diz que, quando tocadas de trás para frente, algumas das músicas de Xuxa trazem mensagens pouco indicadas para crianças. A famosa "Ilariê", por exemplo, teria uma letra de “evocação ao demônio”. 

Setores religiosos da população, inclusive, passaram a criticar as músicas da Rainha dos baixinhos e a bola de neve foi ficando cada vez maior. Principalmente quando outras canções da mulher passaram a ser tocadas de trás para frente.

Xuxa saindo de sua clássica nave espacial / Crédito: Wikimedia Commons

 

Letras satanistas

Lançada em 1993, a letra de "Doce Mel" também foi uma das mais criticadas. Segundo os teóricos, que o usam do backmasking para provar esse ponto, a música faz referência ao Exu das religiões de matriz africana e ao ato de beber sangue de crianças.

Nesse sentido, muitos acreditam que Xuxa canta versos tidos como assustadores. “Parece que Exu não sai daqui./ E sangue entra na boca como lanche./ Nova era livre e solta na avenida./ E sangue, sangue, sangue”, diria a música quando tocada ao contrário.

Nessa procura por mensagens bizarras, nem a letra de “Quem quer pão” escapou. “Ah, não vai ao céu, fiquei ao lado do diabo./Sou polícia, sou polícia, sou polícia, eu juro./Que a política, que a política, que a política engana”, teria dito a canção, segundo a teoria.

Uma teoria sem base

Em meados de 2016, a própria Rainha dos baixinhos e Michael Sullivan, coautor de mais de 60 músicas de Xuxa, foram questionados sobre o assunto. Segundo ambos, as teorias da conspiração não passam de uma brincadeira sem noção.

Xuxa falou sobre o assunto pela primeira vez em um vídeo com o youtuber Felipe Neto. “Elas [as pessoas que buscam por mensagens] têm que ouvir do lado certo e não ao contrário, né?", brincou a cantora, na época. "Tem muita coisa que ninguém quis falar, ninguém quis escrever, e eles deduzem que é dita uma frase.”

Michael, por sua vez, deixou claro que as mensagens subliminares não existem, em entrevista à revista Mundo Estranho. “Todas as mensagens foram e são passadas de forma explícita. De forma clara e em bom português. Qualquer disco que você girar ao contrário trará palavras e sons distorcidos”, explicou o compositor.


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