Matérias » União Soviética

Os expurgos de Stalin: 750 mil pessoas mortas pela campanha brutal do ditador

Durante o episódio conhecido como Grande Terror, toda e qualquer "ameaça" acabava na mira do regime — incluindo crianças

Redação Publicado em 05/09/2019, às 11h00

None
- Reprodução

Após ter tomado o lugar de Lenin no comando da URSS, o ditador soviético Joseph Stalin executou uma campanha política brutal para eliminar membros dissidentes do Partido Comunista. Ao menos 750 mil pessoas foram mortas no que ficou conhecido como Grande Expurgo.

Política mortal

Em 1924, quando o líder da URSS Vladimir Lenin faleceu, Stalin conseguiu abrir caminho para a sucessão política, se declarando ditador no ano de 1929. Qualquer pessoa considerada uma ameaça acabou na mira do regime, incluindo membros do ex-partido bolchevique que questionavam sua autoridade.

Isso levou a uma sangrenta e atroz operação que impactou a história do país. O expurgo ocorreu entre 1934 e 1938, e além dos mortos, mais de um milhão de pessoas foram enviadas para as Gulags, ou campos de trabalho forçado.

Vítimas do expurgo na cidade de Vinnytsia /
Crédito: Wikimedia Commons

 

Os motivos que levaram a essa brutal campanha política ainda são fruto de debate entre historiadores. Enquanto uns afirmam que as ações serviram para legitimar a ditadura, outros interpretam como uma forma de aprimorar e unificar o Partido, fortalecendo a política nacional.

Os expurgos

Em 1934, o líder bolchevique Sergei Kirov foi assassinado na sede do Partido Comunista. Após sua morte, Stalin afirmou ter descoberto uma perigosa conspiração, eliminando ou aprisionando quaisquer dissidentes do Partido, assim como os bolcheviques originais que participaram da Revolução Russa de 1917.

Os expurgos acabaram se expandindo para estrangeiros, camponeses, cientistas, artistas e minorias étnicas. 30 mil membros do Exército Vermelho foram executados, incluindo generais e almirantes.

Sergei Kirov e sua filha com Stalin em 1934 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além disso, o ditador assinou um decreto responsabilizando famílias pelos crimes cometidos por um marido ou pai. Ou seja, crianças a partir de 12 anos poderiam ser executadas.

Oficialmente, o grande expurgo terminou por volta de 1938. Entretanto, muitos acreditam que o evento ainda não estaria terminado até que um inimigo de longa data estivesse morto: a pedido de Stalin, Leon Trotsky foi assassinado no México, em agosto de 1940, já tendo sido condenado durante julgamentos em Moscou.