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Zwarte Piet: Na Holanda, o Natal é com blackface

O tradicional ajudante de Papai Noel já rendeu acusações de racismo, inclusive da ONU, mas os holandeses juram que não tem nada de errado

Fabio Marton Publicado em 21/12/2018, às 11h00

Zwarte Piet
Zwarte Piet - Reprodução

Na Holanda, o maior ajudante do Papai Noel não são os duendes. Quem fica encarregado de carregar os presentes e ajudar o bom velhinho é o Zwarte Piet, ou Pedro Negro. Nos desfiles de Natal, Piet aparece à frente da carruagem. É representado por uma pessoa (quase sempre branca) usando blackface.

A representação do personagem começou a gerar polêmica no final do século 20. Em 2015, um comitê da ONU recomendou aos holandeses que parassem de usar blackface no Natal. Mas não diga aos holandeses que o personagem é racista, porque eles levam sua tradição de Natal – e sua reputação progressista – muito a sério.

Blackface, roupas coloridas, peruca encaracolada, batom vermelho: é assim que a população dos países baixos se fantasia de Zwarte Piet Reprodução

Em 2013, uma pesquisa revelou que 90% deles não acham a figura racista. A pele escura de Piet é justificada como consequência do personagem se esgueirar pelas chaminés cobertas de fuligem para ajudar a entregar os presentes.

Origem

Mas essa história da fuligem é uma lenda. Piet apareceu em 1850, no livro infantil São Nicolau e Seu Serviçal, de Jan Schenkman.

A holanda tem um passado escravista bastante significativo. Após o período em que dominaram o Nordeste Brasileiro, no século 17, eles levaram a cultura da cana para suas colônias, como Aruba, Suriname e Curaçao.

Os negros holandeses tem origem nessas colônias – ou são migrantes recentes da África – e representam 4% da população holandesa. A maioria enxerga Piet como uma apologia à escravidão e organizam protestos para mudar a aparência do personagem.