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Dos moradores atuais ao turismo tétrico: 6 fatos bizarros sobre Chernobyl

Ocorrido em 1986, o desastre nuclear foi responsável por emanar altas quantidades de radiação

Victória Gearini Publicado em 01/11/2020, às 18h02

Restos do Acidente Nuclear de Chernobyl de 1986
Restos do Acidente Nuclear de Chernobyl de 1986 - Wikimedia Commons

Em 26 de abril de 1986, um dos reatores da Usina Nuclear Chernobyl, na Ucrânia, explodiu. O incêndio que se seguiu liberou uma nuvem radioativa que atingiu países tão distantes quanto a Itália e Finlândia. A cidade de Pripyat foi evacuada, e a zona de exclusão permanece até hoje. Atraindo turistas.

O total de mortes é controverso, e nunca vai ser conhecido exatamente. 31 bombeiros e funcionários da usina, que trabalharam na contenção do fogo, morreram de exposição aguda à radiação. Outros 246 trabalhadores morreram entre 1991 e 1998 de doenças circulatórias e leucemia.

Mesmo após décadas do acidente, ainda hoje, o ocorrido é amplamente noticiado pela mídia e desperta curiosidade pela magnitude e impacto ambiental que causou. No entanto, o que poucas pessoas sabem são os detalhes perturbadores que permeiam este acidente.

Confira abaixo 5 fatos intrigantes sobre Chernobyl.

1. Bombeiros mortos na explosão

Usina Nuclear de Chernobyl / Crédito: Getty Images

 

Em decorrência da explosão um incêndio se alastrou pela usina. Para conter as chamas, uma equipe de bombeiros foi acionada, no entanto, ao chegarem ao local dezenas de socorristas morreram ao inalar altos níveis de radiação.


2. A usina

Quase ninguém sabe, mas ela continuou a funcionar por 14 anos após a pior catástrofe nuclear da História. A usina continuou operando com seus outros reatores até 2000. Só parou após a Ucrânia receber dinheiro dos países ocidentais para construir outros geradores de energia.

Áreas contaminada da Usina Nuclear de Chernobyl / Crédito: Wikimedia Commons

3. Vida selvagem

Assim que as notícias sobre o acidente se alastram a região foi evacuada. No entanto, a vida selvagem permaneceu e se adaptou às novas condições ambientais. Segundo um estudo realizado em 2015, o número de alces, veados, veados e javalis que vivem em Chernobyl é semelhante ao número de animais que vivem em reservas naturais próximas ao local.

Vida selvagem em Chernobyl nos dias atuais / Crédito: Divulgação / Youtube / BBC News Brasil

 

O estudo comprovou, ainda, que os números de lobos que vivem na região contaminada é sete vezes maior do que a espécie que vive em reservas vizinhas. No entanto, a pesquisa alerta que a vida selvagem em Chernobyl é inferior se comparada às demais áreas protegidas da Europa.

Além disso, embora a cidade tenha sido evacuada, como consequência dos altos níveis de radiação, centenas de famílias retornaram ao local e ainda moram por lá.

Apesar das autoridades ucranianas não permitirem, cerca de 150 pessoas vivem na zona de exclusão. As estimativas de vida na região chegam à média de 75 anos de idade. Em entrevista no ano de 2016, a moradora com até então 78 anos, Evgueni Markevitch explicou não existe um motivo específico que a fez voltar para o local.


4. O pior veio depois

O maior dano causado pela explosão foi à liberação de radiação, que ocorreu logo nas primeiras semanas após o acidente. Segundo livro Physics for Future Presidents: The Science Behind the Headlines, de Richard Muller, cerca de 15 minutos após a explosão "a radioatividade caiu para um quarto de seu valor inicial; após 1 dia, para um décimo quinto; após 3 meses, para menos de 1%", escreveu o autor.

Empregado de Chernobyl da frente do sarcófago feito para o reator 4 / Crédito: Getty Images

 

O estudo comprovou, ainda, que até os dias atuais é possível encontrar níveis expressivos de radiação pela área, isso porque boa parte foi transformada em fumaça. Entretanto, somente a contaminação próxima ao solo afetou a população.


5. Falta de medida de segurança

Para uma usina nuclear funcionar é fundamental que tenha medidas de segurança, no entanto, este não foi o caso de Chernobyl. Sem um prédio de contenção — uma estrutura de concha hermética que envolve um reator nuclear — as probabilidades do acidente eram iminentes.

Chernobyl antes do desastre de 1986 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Segundo Muller, se houvesse um edifício de contenção no local, as chances do acidente causar mortes seriam muito menores.


6. Visitas

Turistas estão visitando a sala de controle de Chernobyl, que fica na unidade quatro da Usina Nuclear Chernobyl, Ucrânia. O desolador local é aberto para visitação desde o ano de 2002, mas foi com o lançamento da série “Chernobyl”, da HBO, que a região no norte da Ucrânia começou a receber um alto número de visitantes.

A sala, onde o reator nuclear explodiu e causou o desastre, tem radiação 40 mil vezes a mais que o normal. Para entrar no local, as pessoas receberão máscaras faciais, roupas antirradiação e botas industriais para poder permanecer seguros durante o tour.

Ainda para sua segurança, é permitido que os turistas permaneçam apenas cinco minutos na área. Por isso, é importante que eles sempre sigam as regras instruídas pelas autoridades.


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