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Previsões sobre o futuro da humanidade, segundo 10 distopias

De O Conto da Aia a Delírio: as obras literárias que alertam e satirizam as convenções sociais da sociedade

Victória Gearini Publicado em 11/12/2019, às 22h00

O Conto da Aia, de Margaret Atwood
O Conto da Aia, de Margaret Atwood - Divulgação

1. O Conto da Aia, de Margaret Atwood (2006)

Crédito: Rocco

 

Originalmente publicada como um livro, a obra O Conto da Aia recebeu uma adaptação televisiva chamada The Handmaid’s Tale. Ambientada em um futuro perturbador, a história retrata como a religião e o conservadorismo podem controlar as relações humanas. Nesta sociedade — não muito distante — algumas mulheres se tornam inférteis, portanto aquelas capazes de terem filhos passam a ser propriedades do governo.

A trama conta a história de Aia Offred, uma mulher que perdeu o marido e a filha, e é forçada a trabalhar em uma casa de elite. Offred é obrigada a ter relações sexuais com o patriarca da família, com o único objetivo de lhe dar um filho. No entanto, a mulher resiste e luta a todo o momento contra os abusos e machismos sofridos, reflexos da sociedade atual.  

2. 1984, de George Orwell (2009)

Crédito: Companhia das Letras

 

Uma das distopias mais famosas do mundo é a obra 1984, de George Orwell, em que o escritor conta a história de um país fictício que passa a ser comandado por um regime ditatorial que controla a população e seus ideais. Neste cenário, um funcionário público decide ir contra a ditadura implementada pelo governo.

Nesta sociedade fictícia, o partido no poder é controlado pelo Grande Irmão, um tirano que nunca foi visto pessoalmente, mas é o dono da verdade e de todos os princípios. Para se manter no poder, ele conta com a ajuda de diversos ministérios, entre eles o Ministério da Verdade, que  altera livros, falsifica documentos e distorce a realidade, a fim de controlar a comunicação, artes e educação. A censura à arte e a imprensa é uma questão frequente em países com regimes ditatoriais, não somente na obra de George Orwell.

3. Admirável mundo novo, de Aldous Leonard Huxley (2014) 

Crédito: Biblioteca Azul

 

Em Admirável Mundo Novo, os seres humanos não questionam o Estado científico-totalitário e a sociedade é dividida em castas. A situação muda quando Bernard Marx, membro de uma das castas mais elevadas, passa a questionar esta situação.

A obra foi pioneira em diversos sentidos e citou descobertas científicas antes mesmo de serem criadas, como por exemplo a primeira fertilização in vitro, que só ocorreu 40 anos depois de ser mencionada na trama. Além disso, questões de vínculos amorosos e de amizade são repudiadas, tal fato pode ser analisado na pós-modernidade, uma vez que as relações interpessoais são líquidas. Outro fator que o autor aponta é a sociedade dividida em castas, fazendo uma alusão à desigualdade social.

4. Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (2012)

Ao contrário de outras distopias, em Fahrenheit 451, o próprio povo abriu mão de sua liberdade para evitar conflitos, ou seja, o governo não precisou medir esforços para estabelecer a censura. Nesta sociedade, o povo acreditava que viveria feliz, focados nos prazeres e consumos, no entanto não foi o que aconteceu.

O governo totalitário proibiu a circulação de qualquer livro, com medo de que o conhecimento e a educação pudesse derrubá-lo. Esta obra pode ser relacionada com o atual cenário político da sociedade, de modo geral, uma vez que políticos são eleitos com argumentos utópicos e falsas promessas, transmitindo esperança para a população, mas que no fim censuram a arte, educação e imprensa.   

Outro fator importante que a obra levanta é a falsa ideia que as pessoas têm de estarem felizes, mas que na verdade estão sendo controladas a todo o momento pelo Estado e medicamentos antidepressivos — como citados na obra.

5. A seleção, de Kiera Cass (2012)

Crédito: Editora Seguinte

 

Illea é uma grande potência econômica governada por uma monarquia, que foi formada após uma suposta Quarta Guerra Mundial. Localizado no território da atual América do Norte e Central, o país é dividido em castas.

A trama conta a história de America Singer, uma jovem pertencente a uma classe social inferior, que é obrigada a participar de uma festa promovida pelo herdeiro da realeza. A menina é selecionada para se tornar sua noiva, mas seu coração já pertence a outro plebeu. Esta distopia envolve política e poder, além de criticar a monarquia e a desigualdade social presente na sociedade atual.

6. O teste: Seu tempo está acabando, de Joelle Charbonneau (2016)

Crédito: Editora Única

 

A triologia O Teste retrata uma sociedade pós apocalíptica, marcada pelo autoritarismo. Nesta sociedade, somente as pessoas com os melhores desempenhos educacionais possuem o direito de fazer o ensino superior.

A obra busca, ainda, questionar a meritocracia, e leva o leitor a refletir sobre o método de escolha dos candidatos, que ignora diversas outras características importantes, que para os avaliadores não entram no mérito.

7. A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard (2015) 

A Rainha Vermelha não é uma distopia clássica, pois usa de elementos ficcionais, como superpoderes para descrever uma sociedade futura comandada pelo autoritarismo. A narrativa conta a história de Mare, uma jovem pobre de sangue vermelho que acaba se envolvendo no mudo da elite, que possuem sangue prata e superpoderes. Ao decorrer da trama, a menina descobre que também é dotada de habilidades mágicas, apesar de ter sangue vermelho.

Mare representa uma ameaça ao sistema de segregação social e, por isso, se junta a um grupo de resistência que busca derrubar a monarquia. A obra refere-se ao pensamento antiquado de que há pessoas de sangue puro e impuro. É uma critica ao sistema preconceituoso e separatista de classes, que perpetua nos dias de hoje.  

8. Feios, de Scott Westerfeld (2016)

Crédito: Editora Galera Record

 

Esta obra retrata uma sociedade futura que, após um apocalipse ecológico, passa a dividir-se em bolhas sociais. Neste cenário, as pessoas procuram pela perfeição do indivíduo, portanto ao atingirem 16 anos de idade são obrigadas a passarem por procedimentos estéticos que as tornam fisicamente perfeitas.

A trama aborda a história da personagem Tally que se decepciona com o governo, após o sumiço de sua melhor amiga Shay — ativista contraria aos ideais impostos pelo povo. Feios critica a busca pela perfeição e os padrões ditados. Esta distopia apresenta elementos clássicos, como governo autoritário, tecnologias elevadas e jovens revolucionários.  

9. Delírio, de Lauren Oliver (2012) 

Em um futuro próximo, o amor é considerado crime e doença. Por isso, ao completar 18 anos, as pessoas são obrigadas a tomarem uma injeção que irá inibir esse sentimento. Lena Haloway é uma jovem que está prestes a passar por este processo e obter a cura para o amor. No entanto, a jovem acaba se apaixonando.

Nesta distopia, o governo que escolhe com quem a pessoas irão se casar, mas Lena tem a difícil decisão de escolher entre seguir o que o Estado lhe obriga ou deixar seu coração falar. Delírio critica abertamente como alguns governos atualmente interferem na vida pessoal dos indivíduos.

10. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess (2019)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Laranja Mecânica é uma das maiores distopias já escritas que critica a alienação pós-industrial. A narrativa se passa em uma cidade futurista e aborda a trajetória de Alex, um jovem líder de uma gangue que comete diversos atos violentos pelas ruas, até que ocorre um assassinato e o jovem é preso.

O Estado repressivo e totalitário o prende e o submete a medicina experimental, utilizando de terapia de aversão brutal, a fim de converter criminosos. O livro traz uma visão macabra do futuro, no entanto, as táticas usadas para converter os criminosos não estão muito longe da realidade e se assemelham com a lobotomia — prática muito utilizada no passado, principalmente em casos de esquizofrenia.


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