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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: 5 cientistas que foram apagadas da História

Neste dia é celebrada a participação e importância da figura feminina para a Ciência. Confira alguns nomes esquecidos!

Victória Gearini Publicado em 11/02/2020, às 20h10

Mileva Marić e Virgínia Leone Bicud
Mileva Marić e Virgínia Leone Bicud - Creative Commons

Hoje, 11 de fevereiro é celebrado o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, com o objetivo de ressaltar a importância da participação feminina nesta área. Criada pela a ONU (Organização das Nações Unidas) há quatro o anos, a data é marcada por relembrar inúmeros casos de injustiça e machismo contra a mulher. Confira a seguir alguns casos de cientistas mulheres que tiveram suas descobertas roubadas e desmerecidas:

1. Mileva Marić

Retrato de Mileva Marić / Crédito: Wikimedia Commons

 

A primeira esposa de Albert Einstein, Mileva Marić, gera grandes debates entre os especialistas, já que muitos historiadores alegam que Marić teria contribuído significativamente com as pesquisas do marido.

A cientista foi à primeira mulher a estudar física durante o Império Austro-Húngaro. Em 1896, tornou-se a primeira pessoa do sexo feminino a estudar no Instituto Politécnico, na Suíça, onde conheceu Einstein. Pouco tempo depois, em 1901, parou de estudar por conta de uma gravidez.

Em cartas encontradas pelos historiadores, Einstein se refere às suas teorias como “nosso trabalho” e “nossa teoria”. Mileva Marić era uma mulher muito inteligente e que dominava as leis da física, fator que leva os especialistas acreditar que seu marido levou todos os créditos pelo seu trabalho.

2. Jocelyn Bell Burnell 

Retrato de Jocelyn Bell Burnell / Crédito: Wikimedia Commons

 

Jocelyn Bell Burnell é a astrofísica responsável pela descoberta que revolucionou a astronomia. Nascida em 15 de julho de 1943, na Grã-Bretanha, a cientista teve sua pesquisa utilizada em testes da teoria da relatividade.

Em 1967, Burnell notou em seus relatórios de monitoramento uma série de pulsos que apareciam a cada 1,3 segundo. Na época, sua equipe acreditou ser um tipo de comunicação alienígena, mas a cientista solucionou o caso: os sinais eram provindos de nêutrons, que por sempre girarem, davam a impressão de emitirem radiação.

Embora sua descoberta tenha recebido o prêmio Nobel de Física, em 1974, seu nome não foi mencionado na premiação. Antony Hewish, seu orientador, e Martin Ryle, que ajudou na construção do telescópio, foram os homenageados.

No ano de 2018, a astrofísica doou US$ 3 milhões que recebeu do prêmio Breakthrough de Física. A quantia foi destinada para a criação de bolsas para pessoas carentes financeiramente terem o direito de estudar física no Instituto Britânico de Física. Atualmente, aos 75 anos, é professora da Universidade de Oxford.

3. Caroline Herschel

Ilustração de Caroline Herschel / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante o século 18, Caroline Herschel se tornou à primeira mulher astrônoma da História. Quando criança, contraiu tifo e não cresceu mais que 1,30 metros. Por conta deste fator, sua mãe a treinou para ser governanta, mas após a morte de seu pai, a garota se mudou para a Inglaterra, junto de seu irmão William.

O rapaz era apaixonado por astronomia, até que em 1781, descobriu o planeta Urano e foi convidado pelo Rei George III para trabalhar na corte britânica. Em um primeiro momento, Herschel trabalhou como assistente de seu irmão e aproveitava para estudar música e matemática.

Pouco menos de um ano depois, a cientista descobriu 4 cometas, até que passou a receber um salário pelos seus serviços como astrônoma do rei. Em 1835 se consagrou como membro da Real Sociedade Astronômica de Londres.

4. Rosalind Franklin

Retrato de Rosalind Franklin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Rosalind Franklin foi uma das pessoas que contribuiu para a descoberta da estrutura em dupla hélice do DNA. Ao extrair fibras de DNA, a cientista descobriu duas formas da molécula.

Logo em seguida, Maurice Wilkins, seu colega de trabalho, roubou seu projeto. Em 1953, Franklin passou a estudar vírus, mas James Watson, junto com Wilkins e Francis Crick, anunciaram a descoberta da dupla hélice.

Cinco anos depois, Rosalind Franklin faleceu em decorrência de um câncer no ovário, sem nunca ter confrontado seus colegas de trabalho. Sua verdadeira história só foi revelada anos após sua morte.

5. Virgínia Leone Bicud

Retrato de Virgínia Leone Bicudo / Crédito: Divulgação

 

Virgínia Leone Bicudo foi uma das pessoas mais importantes da psicanálise no Brasil. A pesquisadora era neta de uma escrava alforriada e, por conta disso, enfrentou a estrutura machista e racista da época.

Em 1935, iniciou seus estudos na Fundação Escola de Sociologia Política. Graças a sua pesquisa, Bicudo desenvolveu a tese Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo, na qual comprovou que mesmo existindo igualdade salarial, o racismo contra os negros não diminuiu.

Em 1954, sofreu represália durante o primeiro Congresso Latino-Americano de Saúde Mental, onde foi acusada de estar mentindo e exercendo a medicina de forma ilegal. Após um ano, se especializou no atendimento infantil, em Londres. Pouco tempo depois, assumiu a direção do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. No entanto, sua tese de mestrado só foi publicada 65 anos depois de escrita.


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1. Mileva Maric: Einsteins Frau (Edição Alemã), de Miodrag Lukic - https://amzn.to/2OnEXb6

2. A Quaker Astronomer Reflects: Can a scientist also be religious? (Edição Inglês), de Jocelyn Bell Burnell (2013) - https://amzn.to/2R407wT

3. Catalogue of Stars, Taken From Mr. Flamsteed's Observations Contained in the Second Volume of the Historia Cœlestis, and not Inserted in the British Catalogue, de Caroline Herschel (2018) - https://amzn.to/34l9dck

4. Rosalind Franklin: The Dark Lady of DNA (Edição Inglês), de Brenda Maddox (2013) - https://amzn.to/33qHXYl

5. Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo, de Virgínia Leone Bicud (2018) - https://amzn.to/2DlcyMq

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