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Jornalista denuncia escravidão de imigrantes nas produções de tomate na China

A obra O Império do Ouro Vermelho, de Jean-Baptiste Malet chegou a ser censurada na Itália, mas ganhou o Prêmio do Livro Albert-Londres

Victória Gearini Publicado em 11/03/2020, às 20h10

Ilustração de tomate
Ilustração de tomate - Getty Images

Durante dois anos, o jornalista Jean-Baptiste Malet investigou o mecanismo político e mercadológico que tornou a China o maior produtor e exportador de tomates do mundo. Por meio de entrevistas com comerciantes, colhedores, empreiteiros, camponeses e até um general chinês, o repórter descobriu situações de escravidão na produção de tomate.

Aclamada pela crítica, a obra O Império do Ouro Vermelho, de Jean-Baptiste Malet recebeu, em 2018, o Prêmio do Livro Albert-Londres, o “Pulitzer francês”. Da China à Itália, da Califórnia a Gana, o escritor viajou por cerca de dois anos para investigar a fundo as condições precárias de trabalho em que os chineses se encontram.

O jornalista denunciou, ainda, a exploração de imigrantes, que trabalham exaustivamente em ambientes insalubres, nos guetos do sul da Itália. A revelação não agradou o governo italiano que, logo após o lançamento em 2017, retirou o livro de circulação. Segundo Malet, a censura foi a pedido da indústria de tomates Giaguaro, de Salerna, pois o jornalista teria se recusado a retirar da obra páginas incriminadoras.

Crédito: Editora Vestígio

 

"A Giaguaro, principal importadora italiana de concentrado chinês, apresentou uma queixa na Itália. Essa empresa, que fornecia para a rede Carrefour quando o meu livro foi publicado, me acusou de prejudicar a sua imagem na França e de lhe ter feito perder vários milhões de euros em exportações. A única falha encontrada no meu texto para justificar essa acusação foi que não especifiquei que a empresa tinha sido inocentada após uma busca e apreensão espetacular mencionada no livro — a apreensão pelos carabinieri de 1.500 barris de concentrado chinês podre e cheio de larvas e vermes", disse Jean-Baptiste Malet.

No entanto, o escritor revelou que a empresa usou provas falsas para ser inocentada e investigadores revelaram a farsa por meio de escutas telefônicas. "Os investigadores revelaram as práticas poucas científicas desse laboratório: ele distribuiu certificações falsas a muitas empresas para permitir que elas enterrem resíduos industriais tóxicos", acrescentou o jornalista.  

Jean-Baptiste Malet disse que existe um esquema milionário de lavagem de dinheiro, por falta de rigor das regulamentações da União Europeia. "Os advogados me pediram para encerrar o assunto Giaguaro, me obrigando contratualmente a ficar em silêncio. Teria preferido defender o meu livro perante os tribunais italianos, porque a minha investigação não tem erros factuais”, explica Malet.

Além disso, afirma que a produção e exportação do tomate envolvem diversos assuntos sociais e de interesse público, uma vez que chineses são explorados e vivem em condições semelhantes à de escravidão. Para ele, há uma censura a imprensa, que é impedida de exercer sua função. “Trata-se claramente de tentativas de intimidação, as mesmas que os jornalistas italianos enfrentam diariamente. O que é certo é que do meu lado vou lutar para que este livro seja distribuído na Itália", conclui o escritor.  


+Saiba mais sobre esta e outras obras de Jean-Baptiste Malet:

1. O império do ouro vermelho: A história secreta de uma mercadoria universal, de Jean-Baptiste Malet (2019) - https://amzn.to/36EEDuU

2. Histoire de la conjuration du Général Malet: avec des détails officiels sur cette affaire (Edição Francesa), de Jean-Baptiste Malet (2018) - https://amzn.to/38HCSyR

3. Das Tomatenimperium: Ein Lieblingsprodukt erklärt den globalen Kapitalimus (Edição Alemã), de Jean-Baptiste Malet (2018) - https://amzn.to/2YRUrYB

4. El imperio del oro rojo: Una apasionante investigación sobre las consecuencias del consumo globalizado (Edição Espanhol), de Jean-Baptiste Malet (2018) - https://amzn.to/2LYNm3h

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