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Mary Beatrice: a mulher negra que inventou o absorvente e enfrentou o racismo

Antes de falecer, a inventora revelou toda sua trajetória para a biógrafa Zing Tsjeng

Victória Gearini Publicado em 12/02/2020, às 20h10

Mary Beatrice
Mary Beatrice - Divulgação

Ao longo da História, diversas pesquisadoras, cientistas e artistas mulheres foram esquecidas ou silenciadas, entre elas Mary Beatrice, criadora do absorvente. Durante uma pesquisa minuciosa, a biografa Zing Tsjeng identificou diversas incoerências históricas de descobrimentos e concluiu que vários foram atribuídos a homens, em sua maioria, brancos.

Mary Beatrice Davidson Kenner nasceu em 1912, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Sua família foi responsável por diversas criações que impactaram a humanidade, como seu avô materno que inventou o sinal de luzes tricolor — utilizado para guiar trens. Além disso, sua irmã, Mildred Davidson, foi responsável por patentear o jogo de tabuleiro.

Inteligente e criativa, Mary Beatrice seguiu os passos de seu avô e irmã. A inventora passava horas acordada durante a madrugada construindo objetos. Sua genialidade lhe rendeu uma vaga na renomada Universidade de Howard, em 1931. Infelizmente, em decorrência de problemas financeiros, teve que abandonar os estudos, um ano após ingressar na faculdade.

Embora Mary fosse extremamente criativa, ela enfrentou um dos maiores obstáculos impostos pela sociedade: ser uma mulher negra. Devido ao racismo estrutural, a jovem foi levada a trabalhar como babá, mas nunca deixou de lado suas invenções.

Em 1957, Mary já havia juntado algumas economias que lhe ajudaram a patentear sua maior invenção: o absorvente.  O objeto consistia em um cinto para os guardanapos sanitários — espécie de absorventes utilizados até a década de 60. A invenção foi um sucesso, pois diminuía os riscos da menstruação vazar.

Invenção de Mary Beatrice / Crédito: Divulgação

 

A obra Forgotten Women (Mulheres Esqucecidas, em tradução livre), da escritora Zing Tsjeng, retrata a trajetória de Mary Beatrice, uma das maiores inventoras da História. Segundo a autora, é importante ressaltar que a maioria das invenções tecnológicas e científicas foram atribuídas à homens, em especial brancos. Tal fato é reflexo da sociedade machista e racista.

Zing Tsjeng explica, ainda, que Mary enfrentou dificuldades de contatar acionistas, que desmarcavam as reuniões logo que descobriam que ela era uma mulher negra. “Houve milhares de mulheres inventoras, cientistas e tecnológicas. Mas elas nunca receberam o reconhecimento que mereciam”, disse Zing Tsjeng em um artigo à Vice.

Mary Beatrice faleceu em 2006, mas antes revelou toda sua trajetória para a escritora Zing Tsjeng, que sensibilizada com o relato, decidiu compilar esta e outras história em sua obra, com o intuito de denunciar os efeitos da sociedade preconceituosa que exclui as minorias.  


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