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Muito além do Massacre do Carandiru: os casos mais sádicos envolvendo a Rota

Considerada temida e cruel, a tropa foi responsável por diversos assassinatos ao longo da História

Victória Gearini Publicado em 14/03/2020, às 20h48

Manifestação em memória as vítimas do Massacre do Carandiru
Manifestação em memória as vítimas do Massacre do Carandiru - Wikimedia Commons

A Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, mais conhecida pela nomenclatura Rota, é uma tropa do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Ao longo da História, essa força militar ficou famosa pelos inúmeros escândalos, entres eles o extermínio de pessoas na ditadura militar e o envolvimento no Massacre do Carandiru, em 1992.

Ao longo do tempo, a tropa paulista sofreu diversas mudanças, inclusive no nome. Em 1851, o Batalhão de Caçadores que atuava no estado foi renomeado para Batalhão de Caçadores Tobias de Aguiar, em homenagem ao presidente da província Rafael Tobias de Aguiar, antigo Patrono da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Primeira versão do batalhão

Com o principal objetivo de defender as Instituições Republicanas, o batalhão esteve envolvido na Revolta da Armada, apoiando a República dos Federalistas, em 1894. Dois anos depois, defendeu a capital do Cônsul da Itália, devido a uma revolta após a morte de imigrantes alistados nas Forças Legais. Em 1897, o Batalhão de Caçadores Tobias de Aguiar atuou, ainda, na Guerra de Canudos, sendo citado positivamente na obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, como o Batalhão Paulista.

Guerra de Canudos, ocorrida em 1897 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Anos mais tarde, o batalhão voltou a ser falado entre a população paulista, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Naquele ano, o povo se mobilizou contra o governo de Getúlio Vargas. A tropa interviu e promoveu um conflito sangrento, que ficou marcado na história do país.  

Mudança de nome durante a ditadura militar

Com o discurso de proteger os cidadãos brasileiros, a tropa apoiou o Golpe Militar de 31 de março de 64 contra o até então presidente João Goulart, que havia sido eleito de maneira democrática como vice-presidente do Brasil. A partir desse momento, foi instituída a ditadura militar no país, que levou à grandes mudanças no batalhão. No dia 15 de outubro de 1970, o Batalhão de Caçadores Tobias de Aguiar é renomeado para Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

No primeiro ano de sua criação, atuou na repressão contra a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca, um dos líderes da luta armada e oposição ao regime militar. Inicialmente, a Rota tinha como objetivo prender e torturar a oposição, que segundo eles, representavam uma ameaça comunista para o país. No entanto, com o passar do tempo a situação tomou outras proporções.

Ato contra o regime militar, durante o período da ditadura / Crédito: Arquivo Nacional

 

Sob abuso de poder, a Rota passou a perseguir pessoas que tivessem cometido pequenos delitos, como roubo. Sádicos e cruéis, estes policiais usavam a força para punir os suspeitos, por meio de técnicas de torturas semelhantes às utilizadas em presos políticos.

Um dos casos mais famosos foi o crime nos Jardins, em 1975. Em 23 de abril daquele ano, Francisco Noronha (Chico), de 14 anos, José Augusto Junqueira (Gugu), de 19 anos e Carlos Medeiros (Pancho), de 22 anos, foram surpreendidos pela Rota após uma suposta tentativa de furto. Na ocasião, os jovens foram brutalmente metralhados pela polícia, sem chance de se defender.

Para encobrir os rastros do crime, as autoridades implantaram drogas e armas no veículo em que os rapazes foram mortos. Anos mais tarde, Erasmo Dias, oficial responsável por acobertar o crime, revelou que a situação nos Jardins tinha sido forjada. 

Atuação da Rota nos dias atuais

Pouco mais de 10 anos depois, a Rota esteve presente no Massacre do Carandiru, ocorrido no dia 2 de outubro de 1992. Segundo as autoridades, o objetivo era controlar a rebelião no pavilhão 9, no entanto, a forma como fizeram foi muito criticada por defensores dos direitos humanos. Neste episódio, a tropa foi responsável pela morte de mais de 100 pessoas. De acordo com a perícia, os presos mortos não apresentavam ameaça e não tiveram a chance de se defenderem.

Casa de Detenção de São Paulo / Crédito: Divulgação

 

Anos mais tarde, a Rota continuou atuando normalmente, ampliando o treinamento de profissionais e número de veículos. No entanto,  segundo dados levantados pelo Diário Oficial do Estado, entre 2003 a 2013, a Rota matou mais de 600 pessoas em um período de 10 anos. Considerado um braço letal do Comando de Policiamento de Choque, a Rota continua sendo muito temida pela sociedade, mesmo após anos de sua fundação original.


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