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Entre o niqab e a liberdade: a revolução feminina no Iêmen

Obra baseada nos relatos da fotojornalista Agnes Montanari evidência a luta por igualdade das iemenitas

Victória Gearini Publicado em 09/01/2020, às 17h00

Mulheres iemenitas protestando em frente a ONU, contra a guerra, em 20 de novembro de 2019, em Sana'a, no Iêmen
Mulheres iemenitas protestando em frente a ONU, contra a guerra, em 20 de novembro de 2019, em Sana'a, no Iêmen - Getty Images

Pouco se sabe sobre a cultura do Iêmen e do cotidiano das mulheres deste lugar. Contudo, estudos sobre iemenitas estão se tornando cada vez mais comuns e ajudam a entender assuntos políticos, sociais e econômicos do Oriente Médio. A obra O mundo de Aisha: A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen, de Ugo Bertotti, aborda questões feministas no país.

A reportagem em quadrinhos de Ugo Bertotti foi inspirada pelas fotografias e entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari, que reuniu informações sobre o Iêmen a partir de uma viagem que fez com seu marido, em uma missão da Cruz Vermelha. Montanari, até então, só conhecia características básicas do país, como o baixo PIB e a Al Qaeda. Ao longo de sua experiência no local, descobriu diversos fatos interessantes que compõem a cultural do país.

Aisha, Sabiha, Hamedda e Houssen foram algumas das iemenitas entrevistadas por Montanari, que abordou o tema de uma revolução silenciosa em andamento no Iêmen em busca de direitos iguais e liberdade. Na obra, essas mulheres contam suas experiências e denunciam a desigualdade de gênero.

Mulheres e crianças iemenitas protestando na ONU / Crédito: Getty Images

 

Ainda jovens são obrigadas a se casarem, são escravizadas, violentadas, e até mesmo assassinadas. Embora haja coragem e determinação para se emanciparem, ainda não são reconhecidas pela sociedade.

“Nas ruas, as mulheres são como manchas negras, que se movem flutuando. De vez em quando um rápido murmúrio, um preço que se pergunta, depois se afastam deslizando… A partir de certa idade, seus corpos se preparam para desaparecer. E sob aqueles véus negros, parece não haver mais mulheres de carne e osso. Parecem pássaros negros, inamistosos, inabordáveis”, trecho retirado da obra O mundo de Aisha: A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen.

O niqab é um véu negro que revela apenas os olhos das mulheres. Esta vestimenta é muito comum em países da Península Arábica, como o Iêmen, mas também pode ser encontrado em outros países de tradição muçulmana. Segundo Bertotti, 95% das mulheres iemenitas usam o traje em decorrência da religião. Sob essa visão, o escritor revela a história de uma menina que foi agredida por se debruçar em sua janela, mas sem o uso do niqab.

Obra O mundo de Aisha: A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen, de Ugo Bertotti / Crédito: Nemo

 

Na segunda parte da obra, é contada a trajetória de Hammeda, uma grande empreendedora iemenita que criou sozinha seus filhos, logo após a morte de seu marido. Por fim, a narrativa foca na jovem Aisha e suas colegas, que enfrentam cotidianamente a opressão de serem mulheres em um ambiente de trabalho predominantemente masculino.

Lançada pela Editora Nemo, o objetivo da obra é evidenciar a revolução silenciosa, a partir de relatos inéditos e fotografias explicativas. Além disso, serve para refletir sobre a luta de gênero, que mesmo em países onde a religião predomina, também está ocorrendo.


+Saiba mais sobre o Iêmen:

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2. A Pesca do Salmão no Iêmen, de Paul Torday (2008) - https://amzn.to/309E9uD

3. O Choque das Revoluções Árabes. Da Argélia ao Iémen, 22 Países Sob Tensão, de Mathieu Guidère (2012) - https://amzn.to/2s7RkQb

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