Vitrine » Brasil

Rota 66: a sádica polícia que aterrizou São Paulo durante a década de 70

Conhecidos como esquadrão da morte, os oficiais foram responsáveis pelo extermínio de diversas pessoas, entre elas, três jovens nos Jardins

Victória Gearini Publicado em 29/02/2020, às 11h00 - Atualizado às 22h04

Período da ditadura militar no Brasil
Período da ditadura militar no Brasil - Arquivo Nacional

Conhecida como o esquadrão da morte, a Rota 66 foi responsável pelo extermínio de diversas pessoas em São Paulo, durante a década de 70. Temidos e cruéis, estas autoridades abusavam de seu poder e não se importavam em apurar as ocorrências, como aconteceu nos Jardins, em 1975.

A Rota 66 foi criada com principal objetivo de combater a oposição. Com o tempo, foi se aperfeiçoando e ganhou o apelido de esquadrão da morte, devido aos inúmeros relatos de atrocidades cometidas pelos policiais. Anos mais tarde, a Rota 66 passou a perseguir pessoas que já tivessem cometidos pequenos delitos e passaram a utilizar, ainda, técnicas de torturas similares às que foram aplicadas em presos políticos.

Estima-se que mais de 269 pessoas foram executadas, sendo que 144 oficialmente foram declaradas mortas, e 125 estão desaparecidas até hoje. Dentre as vítimas fatais, estão os três jovens de classe média: Francisco Nogueira Noronha (Chico), de 14 anos, José Augusto Diniz Junqueira (Gugu), de 19 anos e Carlos Ignácio Rodrigues Medeiros (Pancho), de 22 anos.

Na madrugada do dia 23 de abril de 1975, os rapazes foram surpreendidos pela equipe 13 da Rota que patrulhava os Jardins. Segundo as autoridades, os jovens estavam tentando furtar um toca disco, mas ao perceberem a movimentação estranha, entraram no carro e fugiram. Embora tenham conseguido despistar os policiais, encontraram um obstáculo maior: a Rota 66.

Desarmados, os jovens foram brutalmente assassinados pelo esquadrão da morte, que metralhou o carro no qual Chico, Gugu e Pancho se encontravam. Ao perceber que tinham os confundido com bandidos perigosos, os policiais da Rota implantaram drogas e armas de fogo no veículo dos garotos.

Embora as evidências fossem claras e apontassem contra os policiais, em 24 de junho de 1981, eles foram absolvidos. Em 2004, Erasmo Dias, ex-secretário da Segurança Pública, gravou uma confissão afirmando que havia acobertado o crime. Erasmo pediu, ainda, que o áudio só fosse divulgado após sua morte, que aconteceria somente em 2010.


+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras:

Rota 66, de Caco Barcellos (2003) - https://amzn.to/32C723Y

Comando Vermelho, de Carlos Amorim (2011) - https://amzn.to/32knS7q

Regime fechado: Histórias do cárcere, de Débora Driwin Rieger Zanini (2019) - https://amzn.to/2SIDY7E

A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias (2018) - https://amzn.to/2vPHtAc

Organização Criminosa, de Guilherme de Souza Nucci (2018) - https://amzn.to/32clgbz

Organização criminosa : nova perspectiva do tipo, de Antônio Sérgio Altieri de Moraes Pitombo (2009) - https://amzn.to/2vPoOnZ

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.