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Luxo e assassinato: o segredo obscuro da socialite Madeleine Smith

A herdeira da Era Vitoriana escandalizou a sociedade britânica ao ser acusada pela morte de seu amante

Victória Gearini Publicado em 15/06/2020, às 22h08

Madeleine Smith, socialite da Era Vitoriana
Madeleine Smith, socialite da Era Vitoriana - Wikimedia Commons

Nascida no dia 29 de março de 1835, no Reino Unido, Madeleine Smith foi uma socialite de Glasgow, pertencente a uma família de classe média alta. Durante o século 19, a jovem ficou conhecida, após ser acusada de um assassinato ocorrido na Escócia, em 1857.

Vida de socialite e antecedente

Smith era a filha mais velha do renomado arquiteto James Smith com a herdeira Elizabeth Hamilton. A socialite era neta, ainda, do principal arquiteto neoclássico David Hamilton, o que lhe permitiu ascensão na alta sociedade britânica. Entretanto, em 1855, a jovem quebrou com vários paradigmas da era vitoriana, ao iniciar um romance secreto com Pierre Emile L'Angelier, cerca de dez anos mais velho do que ela.

Durante à noite o casal se encontrava escondido no quarto de Smith, mas o romance durou pouco, pois logo os pais da socialite encontraram um noivo para ela, também, da alta sociedade, chamado William Harper Minnoch. Em fevereiro de 1857, Smith foi obrigada a romper a relação com L'Angelier, no entanto, o rapaz recusou, ameaçando expor suas cartas amorosas. 

Entrada do apartamento de Pierre Emile L'Angelier / Crédito: Wikimedia Commons

 

Conforme o tempo foi passando, L'Angelier se tornava cada vez mais inconveniente, até que na manhã de 23 de março de 1857, o rapaz foi encontrado morto com indícios de envenenamento por arsênico. Seu corpo foi enterrado no cemitério Ramshorn, na Ingram Street, em Glasgow. Após o fatídico episódio, as cartas de Smith foram encontradas na casa do falecido, e a jovem foi presa sob acusação de assassinato.

O julgamento 

Como Smith era muito rica, ela foi defendida pelo renomado advogado criminalista John Inglis, que mais tarde ficou conhecido como Lord Glencorse. Segundo o laudo médico,  L'Angelier foi envenenamento por arsênico, que foi fornecido pelo médico Andrew Douglas Maclagan. A perícia descobriu, ainda, que semanas antes do ocorrido, Smith havia comprado a mesma substância, o que levou o júri a duvidar da inocência da socialite. 

Disposta a condenar Smith, a promotoria produziu uma série de evidências que diziam que a jovem era culpada pela morte. O júri analisou diversas cartas trocadas entre o casal, no entanto, as correspondências não possuíam envelopes, o que dificultou a interpretação correta da data do carimbo. Por falta de provas Smith foi declarada inocente. 

Julgamento de Madeleine Smith / Crédito: Wikimedia Commons

 

Anos seguintes 

No dia 4 de julho de 1861, a socialite se casou com o artista George Wardle, com quem teve dois filhos, chamados Thomas e Mary. Por um longo tempo, ela foi membro da Sociedade Fabian, em Londres. Para preservar sua identidade a herdeira passou a usar seu nome de casada, portanto, nem todos da alta sociedade sabiam quem ela era. 

Após anos de casamento, o casal se separou em 1889 e Smith mudou-se para Nova York. Já em 1916, ela se casou pela segunda vez, com William A. Sheehy, com quem permaneceu junto até sua morte, em 1926. Smith faleceu dois anos depois do marido, em 12 de abril de 1928, e seu corpo foi enterrada sob o nome de Lena Wardle Sheehy.

Teorias conspiratórias 

Mais tarde sua história foi retratada em diversas obras, entre elas o filme Madeleine (1950), o livro Square Mile of Murder (1961) e o romance The Law and the Lady (1875). A partir disso, estudiosos modernos alegaram que Smith teria realmente cometido o crime, mas como nenhuma testemunha poderia provar que a dupla havia se conhecido nas semanas anteriores ao assassinato, a socialite foi inocentada. 

Logo após o julgamento o jornal local publicou uma matéria afirmando que uma testemunha havia presenciado Smith com L'Angelier pouco antes da morte, mas como o julgamento estava concluído, a fonte não pôde ser interrogada e o inquérito foi arquivado.


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