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Peste Negra impediu os curiosos 'beijos sagrados' durante a Idade Média

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, a historiadora Cristiane Coimbra, explicou com a praga interferiu na cultura medieval

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 23/10/2021, às 08h00

Imagem sobre a Peste Negra
Imagem sobre a Peste Negra - Domínio Público, via Wikimedia Commons

Com o mais novo lançamento do filme “O Último Duelo”, ambientado no século 14, muitos cinéfilos e fãs de história ficaram interessados em alguns aspectos históricos apresentados no decorrer da produção. É o caso da simbologia do beijo durante a Idade Média. 

Estrelada por Jodie Comer, Adam Driver e Matt Damon, a trama se passa durante a Guerra dos Cem Anos e reproduz a verdadeira história de um estupro que terminou em um duelo histórico no campo de Saint-Martin, na França. 

Matt Damon, Jodie Comer e Adam Driver em o “O Último Duelo” / Crédito: Divulgação / 20th Century Studios

 

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, a historiadora Cristiane Coimbra explicou o significado por trás do beijo entre pessoas do mesmo gênero e até mesmo entre o clero. Além disso, revelou como a Peste Negra interferiu diretamente neste costume medieval.

Simbologia do beijo

Assim como retratado no filme, durante um determinado período da Idade Média era comum pessoas do mesmo nível social darem selinho. O gesto era visto com bons olhos até então, sendo executado entre pessoas do mesmo gênero e até mesmo entre o clero. 

“Durante aquele período era comum todo mundo beijar todo mundo, mas temos umas ressalvas: era comum selinhos entre pessoas do mesmo círculo social”, afirmou a historiadora. 

Quando existia uma hierarquia social, os indivíduos podiam fazer outras saudações, além do selinho, como era o caso do beijo na mão, no pé ou até mesmo no joelho. 

Segundo Cristiane Coimbra, a prática se tornou ainda mais comum em contextos de guerras. Quando os soldados voltavam vivos das batalhas, muitas vezes eram recebidos com selinho, independente do gênero. 

Ilustração de um médico durante a Peste Negra / Crédito: Domínio Público, via Wikimedia Commons

 

Além de saudações por hierarquia e ao retornar de um conflito, existia, ainda, o beijo de “paz”. Isto é, uma demonstração afetiva e física para dar fim em uma determinada desavença. Portanto, era comum que esposas beijassem “rivais” de seus maridos, à mando deles, para concretizar um acordo de 'paz'.

Medidas contra a peste 

Com os avanços da Peste Negra, este costume sofreu grandes mudanças no decorrer dos séculos. 

No século 14, a peste foi responsável por dizimar boa parte da população europeia, causando baixas populacionais no continente. Considerada uma das pandemias mais devastadoras da História, a peste interferiu, ainda, nos rumos de guerras e cenários políticos, econômicos, culturais e religiosos da época. 

De acordo com Cristiane, a doença foi a principal responsável por mudar a prática de “beijos sagrados” entre os europeus medievais. 

Com o avanço da praga em toda a Europa, o Papa Clemente V fez um decreto para conter a doença e restringiu algumas práticas até então comuns.

“O papa colocou um decreto para diminuir essa questão dos selinhos, os beijos sagrados. O objetivo era tentar conter o avanço da peste. Portanto, somente aperto de mão, beijo na cabeça ou algo nesse sentido foi liberado, para evitar um pouco o contato entre as pessoas”, explicou a historiadora.

Com o passar dos séculos, o “beijo sagrado” usado em diferentes saudações passou a se tornar menos comum até se tornar um costume praticamente extinto nos dias de hoje.


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