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Samuel Verner: o missionário que explorava escravos em zoológicos humanos

O escravocrata estadunidense foi responsável por explorar pessoas negras que capturava no Congo

Victória Gearini Publicado em 18/07/2020, às 21h15

Samuel Verner, missionário prebisteriano
Samuel Verner, missionário prebisteriano - Wikimedia Commons

Samuel Phillips Verner foi um escravocrata e missionário estadunidense responsável por explorar negros escravizados em zoológicos humanos nos Estados Unidos. Entre um dos nomes mais conhecidos está de Ota Benga, que foi capturado por Verner e exposto no zoológico do Bronx. 

Missionário na África

Nascido em 14 de novembro de 1873, Samuel Phillips Verner foi criado em uma família presbiteriana da Carolina do Sul e estudou na Columbia. Posteriormente, formou-se na Universidade da Carolina do Sul e, após sofrer um colapso mental, passou a trabalhar em ferrovias.

Cerca de um ano depois foi convidado para trabalhar ao lado de seu tio, AL Phillips, em Tuscaloosa, no Alabama, onde passou a lecionar no Instituto Stillman. Após ler as obras de David Livingstone e Henry Morton Stanleyem sobre viagens à África, ele entrou em contato com a família de Samuel N. Lapsley, o primeiro missionário presbiteriano a morrer no Congo. 

Em 1895, sob as ordens do secretário das Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana, Dr. SH Chester, Verner mudou-se para o continente africano. Ao lado de Joseph Phipps, o missionário embarcou no RMS Roquelle em direção a Matadi, no Congo. No país, ele estudou a língua tshiluba.

Samuel Verner no Congo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora a pesquisadora Pamela Newkir questione o controverso acidente de Verner no Congo, acredita-se que, em dezembro de 1897, ele tenha caído em uma armadilha feita para animais. O acidente lhe causou uma grave lesão, pois a estaca que o perfurou estaria envenenada. O missionário teria sido socorrido por um de seus assistentes que o teria levado até uma curandeira local. 

Segundo Pamela Newkir, Verner teria se relacionado, ainda, com uma mulher congolesa em Luebo, deixando pelo menos dois filhos. Em 1898, com o pretexto que pretendia ensinar inglês, Verner levou três congoleses para os Estados Unidos. Um ano depois, renunciou ao trabalho missionário no país. 

Os zoológicos humanos

No entanto, no início dos anos de 1900, Verner voltou para o continente africano, a fim de trazer mais escravos para os Estados Unidos. Na época, escreveu diversos artigos e foi considerado pela sociedade escravocrata um especialista do colonialismo africano. 

O missionário foi responsável, ainda, por contrabandear animais selvagens da África, que vendeu para os jardins zoológicos estadunidenses. Amigo do primeiro diretor do Parque Zoológico de Nova York, William Temple Hornaday, Verner contrabandeou diversos chimpanzés para Hornaday. 

 Ota Benga, em 1904 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1904, Verner capturou pessoas africanas para serem expostas na Feira Mundial de St. Louis. Posteriormente, Ota Benga tornou-se conhecido nos Estados Unidos após ser exposto como "atração" no zoológico do Bronx. De acordo com os escritos de Verner, o rapaz teria sido encontrado perto da confluência dos rios Kasai e Sankuru, onde era mantido em cativeiro pelo povo Baschilele. 

Ao retornar para os Estados Unidos, Verner vendeu Benga para o zoológico do Bronx, mas alegou em seus artigos que o rapaz era livre. Na época, o missionário disse que não ganhou nenhuma quantia financeira com a exposição de Benga no zoológico. Em 1906, o garoto foi libertado pelo prefeito da cidade de Nova York. 

Após o caso de Benga, Verner entrou na obscuridade, vindo a falecer no dia 9 de outubro de 1943. Anos depois, seu neto, Phillips Verner Bradford, publicou um livro sobre a trajetória de Ota Benga.


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