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Traição, morte do filho e depressão: a turbulenta vida íntima de Maria Callas

Considerada uma das maiores cantoras de ópera, a artista lutou contra uma grave doença em seus últimos anos de vida

Victória Gearini Publicado em 22/06/2020, às 17h16

Cantora Maria Callas (1923-1977)
Cantora Maria Callas (1923-1977) - Wikimedia Commons

Maria Callas foi uma grande soprano grega, aclamada pela crítica, por ter uma técnica de canto excelente e por ser capaz de atingir tons graves. Além disso, ficou conhecida pelas suas interpretações profundas que remetiam a uma intensa análise psicológica. Considerada com um raríssimo soprano absoluto, a intérprete teve, ainda, uma vida turbulenta e repleta de escândalos.  

De carreira ao declínio 

Nascida no dia 2 de dezembro de 1923, em Nova York, como María Kekilía Sofía Kalogerópulu, Callas era filha de imigrantes gregos. Devido a dificuldades financeiras nos Estados Unidos, a cantora e sua mãe tiveram que retornar para a Grécia, em 1937. Em seu novo lar, foi matriculada no Conservatório de Atenas, onde aperfeiçoou suas técnicas de canto. 

Sob a direção de Tullio Serafin, seu mentor, Callas estreou seu primeiro papel na Itália, em 1947, na Arena de Verona, por meio da ópera La Gioconda, de Ponchielli. Cerca de um ano depois, a cantora se tornou protagonista da ópera Norma, de Bellini, em Florença, e por volta de 1949 atingiu fama mundial ao encantar a crítica e o público com suas técnicas únicas e incomuns. 

Maria Callas, soprano grega / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os anos áureos de Callas se deram em 1950, quando atingiu fama como cantora internacional, sendo disputada pelas gravadoras. No entanto, em 1958, após abandonar o palco por não ter se sentido bem, foi duramente atacada pela imprensa italiana, que afirmou que ela teria ofendido o até então presidente da Itália.

No mesmo ano, a artista foi demitida do Metropolitan, por Rudolf Bing, pois o escândalo anterior comprometeu sua carreira na ópera. Somente em 1964, Callas foi encorajada pelo cineasta italiano Franco Zefirelli a voltar aos palcos. Entretanto, pouco tempo depois, a artista voltou para o anonimato, após alguns escândalos envolvendo sua vida íntima. 

Vida pessoal

Em 1959, Callas se divorciou do empresário, G. B. Meneghini, com quem ficou casada durante 10 anos. Após o fim do matrimônio, a artista se envolveu com o milionário grego Aristoteles Onassis. Após poucos meses de namoro, Callas foi morar com o amado, embora não se desse bem com sua enteada, Christina. 

Um ano depois, Callas e Onassis tiveram um filho, Omero Lengrino. No entanto, a criança não resistiu ao parto e faleceu no dia seguinte. Após o fatídico episódio, Callas tentou engravidar novamente, mas não conseguiu, o que a levou a uma profunda depressão. 

Em 1968, o casamento com Aristoteles Onassis chegou ao fim, após nove longos anos de brigas e humilhações. O milionário a abandonou para casar-se com Jacqueline Lee Bouvier Keneddy, viúva do ex-presidente Keneddy. O divórcio abalou intensamente Callas, que decidiu nunca mais se casar novamente, embora tenha tido outros relacionamentos ao longo de sua vida.  

Últimos anos 

Em 1965, Callas desmaiou durante uma apresentação e o espetáculo foi interrompido. Após o episódio, ela se apresentou pela última vez no Covent Garden de Londres, ao lado de Tito Gobbi. Aposentada e sofrendo de depressão, a artista passou seus últimos anos de vida morando sozinha. 

Túmulo de Maria Callas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois da separação, Callas se mudou para Paris na companhia de sua governanta, Bruna, e de seu motorista, Ferruccio. No entanto, ela foi encontrada morta em seu apartamento no dia 16 de setembro de 1977.

Segundo a autópsia, Callas teria sofrido um infarto por conta de uma doença degenerativa, chamada dermatomiosite. De acordo com os médicos, esta condição teria sido responsável também pela sua perda de peso e alterações significativas em sua voz. 

Legado

Callas possuía uma voz única, com uma amplitude fora do comum, o que lhe permita abordar diversos papéis: desde o alcance do mezzo-soprano até o soprano coloratura. Por meio de uma técnica de canto lírico e um repertório versátil, a cantora incorporou canções brilhantes de compositores ilustres.  

A artista entrou para a História da música como uma das maiores cantoras de ópera do século 20. Atualmente, foi eternizada neste ramo musical, uma vez que foi capaz de inovar técnicas de canto lírico e influenciar toda uma geração de cantoras, como Joan Sutherland e Renata Scotto.


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