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Autistas inventaram a arte, afirmam cientistas

Estudo afirma que a representação da realidade, surgida na Era do Gelo, exigiu um tipo de mentalidade atípica, que evoluiu para atender a uma necessidade

terça 15 maio, 2018
Desenhos deixados na caverna de Chauvet, na França
Desenhos deixados na caverna de Chauvet, na França Foto:Wikimedia Commons

Arqueólogos e um pesquisador médico da Universidade de York (Reino Unido), acabam de publicar um estudo no qual afirmam que a revolução artística da Era do Gelo, com a criação da arte figurativa, foi motivada pelo autismo. E que a condição, por sua vez, surgiu de uma necessidade evolutiva dessa época.  

Eles se baseiam em análises realizadas nas pinturas deixadas pelos nossos ancestrais nas paredes da caverna de Chauvet, na França, começando há 32 mil anos. Em Chauvet, as representações de animais como ursos, bisões, cavalos e leões apresentam detalhes muitos precisos, jamais vistos antes. 

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Pinturas em Chauvet  Jean Clottes, Chauvet Cave Project

Penny Spinkins, a autora principal, contesta estudos anteriores, que indicavam drogas psicotrópicas seriam responsáveis pela revoução artística: “Olhamos para a evidência nos estudos tentando identificar uma ligação entre talento artístico e uso de drogas, e descobrimos que drogas podem somente desinibir indivíduos com uma habilidade pré-existente”.

Segundo ela, foi preciso de um tipo de pessoa em particular para descobrir a técnica para a representação da realidade, do visto em 3D para a parede em 2D. Alguém com capacidade de foco nos detalhes muito acima da média: um autista. 

Desenho de criança autista, à esquerda, versus criança neurotípica da mesma idade Penny Spinkins

“A ideia de que pessoas com um alto grau de foco nos detalhes deu início à tendência de extremo realismo na arte da Era do Gelo é uma explicação mais convincente”, diz Spinkins. “O foco no detalhe é o que determina se você pode desenhar realisticamente; você precisa dele para se tornar um artista realista talentoso. Esse traço é encontrado muito comumente em pessoas com autismo e raramente ocorre em pessoas que não apresentam autismo.”

A descoberta ainda acrescenta que pessoas com traços de autismo tiveram um papel importante durante a evolução humana. “Além de contribuir para a cultura inicial, pessoas com atenção nos detalhes necessários para pintar a arte realista, também teriam tido o foco de criar ferramentas complexas com materiais como ossos, pedras e madeira”, conclui.

Thiago Lincolins


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