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Notícias / William McKinley

Médico injetou em animais bactérias de feridas de presidente assassinado nos EUA

Documentos sobre autópsia bizarra realizada no ano de 1901 foram revelados recentemente — e agora se encontram em um leilão

por Giovanna Gomes

ggomes@caras.com.br

Publicado em 17/01/2024, às 09h49

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O presidente assassinado William McKinley - Domínio público e divulgação/Raab Collection
O presidente assassinado William McKinley - Domínio público e divulgação/Raab Collection

Documentos inéditos de uma autópsia sobre William McKinley, presidente americano assassinado em 1901, revelam que um médico conduziu experimentos pouco convencionais, injetando amostras bacterianas das feridas do político em coelhos e um cachorro. Essas notas agora estão disponíveis para compra pela primeira vez.

Em 6 de setembro de 1901, durante a Exposição Pan-Americana em Buffalo, Nova York, Leon Czolgosz atirou duas vezes à queima-roupa no presidente McKinley enquanto simulava apertar-lhe a mão. Embora a primeira bala tenha ricocheteado com segurança em um botão da jaqueta do 25º presidente, a segunda penetrou em seu abdômen, perfurando as paredes frontal e traseira de seu estômago.

McKinley foi levado às pressas para um hospital próximo, onde o cirurgião ginecológico Dr. Matthew Mann realizou uma cirurgia. Apesar de mostrar inicialmente sinais de recuperação e ter alta hospitalar, o estado de saúde de McKinley deteriorou-se rapidamente, levando à sua morte em 14 de setembro.

A necrose pancreática, ou pancreatite necrosante, foi apontada como a causa da morte pelos médicos e, posteriormente, Mann foi criticado pelo método cirúrgico utilizado, já que ele deixou a bala dentro de McKinley e não fechou adequadamente a ferida, o que possivelmente teria contribuído para uma infecção.

Os rumores generalizados da época especulavam sobre veneno ou balas de bactérias como possíveis causas do prolongado período até a morte de McKinley.

Em resposta, um "exame bacteriológico" adicional foi conduzido, além da autópsia padrão. De acordo com o portal Live Science, esse exame foi realizado pelo Dr. Herman Matzinger, especialista em análise de sangue. Ele concluiu, porém, que nenhum veneno foi utilizado e que a necrose foi provavelmente causada pelo tiro, não pela cirurgia.

Coleção foi a leilão

No último dia 9, a Raab Collecton, um site de leilões de documentos históricos, disponibilizou uma coleção de documentos pessoais de Matzinger relacionados a esse exame.

Descobertos recentemente pela família restante do médico, esses documentos, incluindo um caderno, cartas, recibos de amostras, telegramas, uma cópia anotada de seu relatório original e um convite para um serviço memorial para o presidente McKinley, foram colocados à venda por US$ 80 mil.

Os documentos de Matzinger não apenas destacam como ele chegou às conclusões de seu relatório original, mas também revelam experimentos inesperados com animais de estimação.

Em seu caderno, o especialista descreveu como cultivava culturas de bactérias a partir de amostras da ferida de McKinley, injetando-as em coelhos e um cachorro.

Segundo o Live Science, os jornais não relatam o destino dos coelhos, mas Matzinger monitorou o cachorro nos dias seguintes, observando sua temperatura elevada, embora ele estivesse "agindo bem", de acordo com o American Kennel Club.

Os documentos também revelam detalhes sobre a análise das armas e balas de Czolgosz por Matzinger, assim como a investigação do sangue do presidente em busca de sinais de veneno.

Além disso, correspondências entre Matzinger e o Dr. P.M. Rixey, que supervisionou a autópsia, mostram a tentativa de Rixey de apressar Matzinger para obter resultados. Contudo, o médico demorou a chegar às suas conclusões, enviando seu relatório final a Rixey em 2 de outubro de 1901, 18 dias após a morte do político.

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