Há 3700 anos, cães eram devorados no ritual de iniciação dos 'homens-lobo'

Arqueólogos acreditam que os 2700 ossos encontrados na Rússia comprovam um mito milenar

Thiago Lincolins

Pequeno cachorro assustado | <i>Crédito: Shutterstock
Pequeno cachorro assustado | Crédito: Shutterstock

No sudoeste da Rússia, arqueólogos da Universidade de Hartwick (EUA), descobriram que jovens da cultura Srubna realizavam rituais onde cães e lobos eram devorados. 

A conclusão foi baseada em escavações realizadas entre 1999 e 2001 no site arqueológico de Krasnosamarskoe, que resultou no aparecimento de 2.770 ossos de cachorros, 18 ossos de lobos e mais 6 impossíveis de identificar. Ao menos 64 desses animais, sendo 99% cães, foram sacrificados durante o inverno.

Arqueólogos observaram que as cabeças desses animais eram queimadas e picadas em pedaços de 3 a 7 centímetros,e uma sequência padrão de corte era adotada. 

Um dos crânios encontrados durante as escavações / Foto: D. Anthony e D. Brown 

estudo mostra também que ovelhas e bovinos estavam presente no cardápio da civilização, mas não possuíam nenhum corte no crânio. O que quer dizer que não havia ritual para elas. 

Pedaços de ossos de cachorros encontrados / Foto: D. Anthony e D. Brown 

A cultura Srubna foi das levas de invasores indo-europeus a chegar ao Cáucaso, daí indo para a Europa e substituindo quase completamente as culturas nativas - hoje em dia, apenas Finlândia, Hungria e o País Basco falam línguas que não descendem da falada por esses invasores.

Mitos sobre a casta dos "homens-lobo", guerreiros legendários, aparecem na literatura de culturas indo-europeias a partir de 2.000 anos atrás. Eles falam em jovens que vestiam a pele, adotavam os nomes e comiam a carne desses animais em uma cerimônia de iniciação, onde tornavam-se guerreiros. Os arqueólogos acreditam que identificaram a origem do mito.

Mas nem todos estão convencidos. "Arqueólogos podem associar mitologia e pré-história juntos, mas apenas com extrema cautela", diz o arqueólogo Marc Vander Linden, da Universidade de Londres. Paul Garwood, da Universidade de Birmingham, acha que os cachorros não eram consumidos. Ele explica que os textos mitológicos contam que pessoas da Idade do Bronze consideravam cães "criaturas com propriedades mágicas", capazes de absorver as doenças das pessoas, tornando-se assim impróprios para consumo. Enfim, os cães eram sacrificados, mas não devorados. 


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