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Comemorar ou lutar? A dura realidade por trás do Dia Internacional da Mulher

A árdua batalha das mulheres por dignidade no mundo do trabalho adentra o século 21 ainda com uma extensa pauta de reivindicações

Raphaela de Campos Mello Publicado em 08/03/2020, às 09h00

Uma mulher segura uma placa de silêncio em Chicago, em meados de 1910. Participante da Convenção da Bienal da Mulher em Chicago
Uma mulher segura uma placa de silêncio em Chicago, em meados de 1910. Participante da Convenção da Bienal da Mulher em Chicago - Getty Images

Em essência, o 8 de Março é uma data reivindicativa, e não comemorativa. E, infelizmente, segue dessa forma. A desigualdade de direitos e as frágeis condições de trabalho enfrentadas pelas mulheres ao redor do mundo continuam na pauta dos movimentos feministas.

Os números apurados pela ONU são contundentes. No mercado de trabalho, homens ganham em média 23% mais do que as mulheres por trabalhos de igual valor. Em certos segmentos populacionais, o índice sobe para 40%. Além disso, mulheres têm 50% menos chances do que os homens de ter empregos remunerados em tempo integral. Elas estão super-representadas no trabalho vulnerável e informal, muitas vezes sem proteção social, e são sub-representadas na gestão do setor corporativo, detendo apenas 22% das posições seniores de liderança nas empresas.

Na América Latina, 78,1% das mulheres empregadas na região atuam em setores definidos como de baixa produtividade. São as áreas da atividade econômica com as piores remunerações, menor contato com novas tecnologias e, em muitos casos, empregos de baixa qualidade. No Brasil, 45% dos lares são chefiados por mulheres, segundo pesquisa de 2018 do IBGE. Se elas ganham menos do que os homens, que perspectivas podem oferecer às suas famílias?

Cartão com uma propaganda anti-sufrágio, de 1900 / Crédito: Getty Images

 

Para ter ideia do quanto avançamos e do quanto ainda nos falta evoluir enquanto sociedades, a Islândia é o único país do mundo que alcançou plena paridade nas oportunidades de trabalho para homens e mulheres, mas ainda não conseguiu a façanha de garantir igualdade de remunerações entre a população economicamente ativa de ambos os sexos.

Não à toa, em 2017, o tema escolhido pela ONU para lembrar o Dia Internacional da Mulher foi “Mulheres no Mundo do Trabalho em Evolução: Um Planeta 50-50 até 2030”. Falta uma década. Pouco provável que em dez anos as reivindicações tornadas públicas pelas mulheres há dois séculos sejam finalmente equalizadas.

“As mulheres ainda lutam por seu reconhecimento pleno no trabalho: não são pagas igual aos homens, sofrem assédios morais e sexuais no ambiente de trabalho e não são respeitadas enquanto gestantes e mães – apenas para citar alguns exemplos mais evidentes, que atingem grande parte das mulheres trabalhadoras, além dos inúmeros direitos ainda negados às mulheres pobres e à ameaça dos direitos conquistados serem destruídos”, denuncia a historiadora Luiza Tonon da Silva, da Uerj.

E a luta continua. Agora tendo as jovens mulheres feministas à frente das reinvindicações nas ruas e também nas redes sociais. Felizmente, elas já provaram que aprenderam a se organizar e a reclamar seus direitos como bem ensinaram suas corajosas antecessoras.


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