Cemiterada: Quando fieis revoltados destruíram o primeiro cemitério do Brasil

Em 1836, mais de mil pessoas se armaram com machados e depredaram o cemitério de Salvador

segunda 26 novembro, 2018
Em 1836, moradores de Salvador se revoltaram com a construção do cemitério
Em 1836, moradores de Salvador se revoltaram com a construção do cemitério Foto:Getty Images

Desde o século 4, passou a ser costume enterrar os mortos sob igrejas. Assim, estariam mais próximos de Deus e da salvação eterna. O hábito começou a mudar apenas no século 19, com o avanço da medicina. Médicos sanitaristas passaram a fazer uma campanha contrária, baseados em fatos: os corpos putrefatos sob o chão das igrejas eram perigosos na medida em que transmitiam as doenças pelas quais haviam morrido, como a cólera e a peste bubônica. Segundo os higienistas, os sepultamentos deveriam ocorrer em campos abertos, longe dos vilarejos – era o conceito dos cemitérios.

No Brasil, a ordem chegou após um decreto do príncipe regente dom João, em 1801. Ninguém obedeceu. Vinte e sete anos depois, em outubro de 1828, o governo imperial brasileiro resolveu seguir a lei. A primeira cidade a construir um cemitério foi Salvador. A população, porém, não gostou nada da ideia. Para os baianos, enterrar seus mortos longe da cidade ia contra a crença religiosa e ainda por cima beneficiava empresários particulares, em detrimento das irmandades religiosas.

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Vários movimentos contrários foram organizados até que, em 1836, mais de mil pessoas saíram em passeata do centro da cidade em direção ao “campo santo”, como era chamado o cemitério. Armados de machados, os furiosos fieis destruíram completamente o local – o episódio ficou conhecido como Cemiterada.

Redação AH


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