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Carta de freira relata experiência em terremoto devastador de Lisboa em 1755

Cerca de 60 mil pessoas morreram após a trinca da desgraça: terremoto, tsunami e incêndio

Redação Publicado em 12/03/2019, às 10h19

Terremoto de Lisboa em 1755
Arquivo AH

Uma carta escrita por uma freira chamada Catherine 'Kitty' Witham trouxe detalhes do terremoto que devastou Lisboa, em Portugal, no ano de 1755. A "trinca da desgraça" contou com o terremoto, seguido por um tsunami de 9 metros e um incêndio devastador.

A irmã da ordem de Bridgettine, um grupo monástico de freiras agostinianas em Portugal, relatou como conseguiu sobreviver à tragédia. "Começou como o barulho dos treinadores e as coisas sobre a mesa começaram a dançar para cima e para baixo. Eu olhei em volta e vi as paredes balançando e caindo. Então me levantei, comecei a conversar com Jesus, e corri para o jardim, pensando que estaria mais segura em um lugar mais alto. Mas todos estavam caindo ao nosso redor. A poeira era tão espessa que não havia como ver o caminho", escreveu no pergaminho datado do dia 27 de janeiro de 1756.

Carta de freira relata terremoto de Lisboa (University of Exeter)

 

Os tremores começaram no dia 1° de novembro de 1755, por volta das 9h40, quando os fiéis acendiam velas para o Dia de Todos os Santos, o que resultaria no ''grande incêndio'' que durou oito dias. Após o colapso, a cidade ficou em ruínas.

Na carta arquivada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, Kitty contou que o terremoto poderia ter sido ainda mais fatal caso tivesse acontecido durante a noite, uma vez que as pessoas estariam dormindo e seriam esmagadas com os desabamentos de suas moradias. Segundo o relato, os tremores continuaram por meses após o choque principal .

"Passamos o dia em orações, mas com muito medo e apreensão, pois a cidade agitava e tremia todo dia e noite. Tudo foi reduzido a nada além de um monte de pedras. E uma das coisas mais terríveis que aconteceu foi que muitas pobres almas cercadas nas ruínas não foram mortas, mas não puderam sair, então algumas foram queimadas vivas e outras morreram de fome", explicou.