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A curiosa história do Cemitério de Colônia, o mais antigo de São Paulo

O Cemitério de Colônia, em Parelheiros, foi fundado em meados do século 19

Redação Publicado em 17/04/2022, às 11h00 - Atualizado em 18/04/2022, às 16h03

Registro do cemitério
Registro do cemitério - Divulgação/Cemitério de Colônia

Muita gente acredita, nos dias de hoje, que o Cemitério da Consolação é o mais antigo da cidade de São Paulo. No entanto, cerca de trinta anos antes dele, foi fundado, em Parelheiros, o Cemitério de Colônia.

O local foi inaugurado em 1829 por um grupo de 200 imigrantes, em sua maioria alemã. Eles haviam chegado à Província de São Paulo dois anos antes, a fim de estabelecer uma colônia agrícola.

De acordo com o portal do O Globo de 2010, havia entre os imigrantes católicos e protestantes, o que resultou em uma divisão do terreno. Ao lado do cemitério, era possível ver pequenas casas de taipa ou madeira, além de uma igreja simples.

Desativação e reabertura

Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento acabou sem recursos e apoio do governo, o que resultou em sua desativação parcial.

O local deixou de funcionar por completo décadas depois, no ano de 1996, retornando à atividade em 18 de novembro de 2000, após esforços de diferentes associações alemãs.

Conforme afirmou o então vice-presidente da Associação dos Cemitérios Protestantes, Franz Schmidt, responsável pela administração do local, ninguém sabe quantas pessoas foram enterradas no terreno antes de seu fechamento. 

As cruzes de ferro do Cemitério de Colônia /Crédito: Cemitério de Colônia

Cruzes de ferro

Os túmulos do local contavam com cruzes de ferros marcantes. De acordo com o Cemitério de Colônia: "colocavam-se cruzes de ferro que eram feitas na própria Fundição Ipanema (primeira casa de fundição do país), nas quais eram atribuídas características especificas, como os semicírculos em suas extremidades, estrelas fundidas no centro dos círculos e as inscrições em horizontal, grafadas no centro da cruz", explica o material enviado ao site Aventuras na História.

Com os mesmos traços, as cruzes que chamavam atenção hoje pode ser encontradas no Cemitério da Colônia. Ao total são dez cruzes; e três não contam com inscrições. Já as outras sete apresentam nomes estrangeiros e mortes que ocorreram entre 1887 e 1892. 

"Não se sabe exatamente como estas cruzes foram instaladas no cemitério, mas é provável que as famílias tenham se mudado de Colônia para Araçoiaba da Serra e, lá, tenham adquirido as cruzes. A partir daí, estes trabalhadores podem ter sido enterrados em Sorocaba e, durante a exumação, foram transferidos para Colônia novamente, por terem família na região. A outra hipótese é de que os estrangeiros adquiriram as cruzes em vida e trouxeram para Colônia, podendo até tê-las vendido para outras pessoas", diz um trecho do material recebido pelo site Aventuras na História.

Além das cruzes acima, é possível que outras tenham sido colocadas nos túmulos do cemitério, contudo, e acabaram sendo alvo de violação ou roubo - algumas das bases de concreto presentes em muitas sepulturas se assemelham as que firmavam as cruzes de Ipanema no chão.

Protegido por lei

Na década de 1970, o cemitério de Parelheiros foi protegido por uma legislação de zoneamento e, no ano de 2004, foi incluído como Zona Especial de Preservação Cultural (ZEPEC) no plano regional das subprefeituras. Hoje, a parte mais alta do terreno é utilizada para novos sepultamentos.

Apesar de ter origem alemã, o cemitério fica em um endereço com nome japonês: Sachio Nakau, 28. O bairro da Zona Sul de São Paulo tem ainda um segundo cemitério municipal, construído em 1905.


*Errata: O Cemitério de Colônia corrigiu a informação de que as terras foram doadas por Dom Pedro I. O texto acima foi atualizado. 


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