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Governo francês pede ajuda para adquirir manuscrito de 'Os 120 Dias de Sodoma'

Oferecendo benefícios exclusivos, o Ministério da Cultura quer manter o manuscrito da obra original do país em definitivo

Wallacy Ferrari Publicado em 04/03/2021, às 13h12

Fotografia registra manuscritos de “Os 120 Dias de Sodoma”
Fotografia registra manuscritos de “Os 120 Dias de Sodoma” - Wikimedia Commons

O governo francês anunciou que oferecerá benefícios fiscais para instituições privadas que ajudarem o Ministério da Cultura a financiar a aquisição da obra “Os 120 Dias de Sodoma”, escrito pelo Marquês de Sade durante sua prisão na Bastilha em 1785. Considerado "o livro mais depravado da História” pelo autor, a obra foi classificada como tesouro nacional do país em 2017, mas está em posse de uma fundação.

De acordo com o The Guardian, a organização detentora da obra conversou com o governo e chegou ao valor de venda €4,5 milhões (cerca de R$ 30 milhões) após a avaliação de um especialista.

Visto que trata-se de um valor alto, os auxílios da iniciativa privada serão convertidos em redução de impostos, de maneira que esse valor não saia dos cofres públicos.

Os manuscritos de "Os 120 Dias de Sodoma" foram originalmente escritos com letras pequenas em um rolo de papel que totalizou doze metros de extensão, pouco antes do autor ser levado a um hospício durante a Revolução Francesa.

Escondido na parede da cela, sobreviveu aos ataques na cidade até a descoberta de uma família de aristocratas, que teve a posse da obra por mais de 100 anos.

As transferências de dono iniciaram em 1904, quando um colecionador alemão adquiriu e permitiu a comercialização em livro. Em 1929, uma nova venda para descendentes do Marquês, sendo roubados em 1982 e vendido para um colecionador de literatura erótica.

Em 2014 houve a última venda, com a atual fundação privada que expõe a obra em Paris. Desde que foi classificado como tesouro nacional, a obra está proibida de sair da França.