Luvas de boxe de 1900 anos sugerem que soldados romanos trocavam socos por esporte

Em perfeito estado de conservação, as luvas de boxe mais antigas conhecidas acabam de ser escavadas de um forte na Inglaterra

quarta 21 fevereiro, 2018
As luvas encontradas montadas nas mãos de um manequim
As luvas encontradas montadas nas mãos de um manequim Foto:Vindolanda Charity Fund

Luvas de boxe romanas foram encontradas perto da Muralha de Adriano, no norte da Inglaterra. O par, que data de aproximadamente do ano 120, é o único exemplar sobrevivente conhecido, e em excelente estado de conservação. 

Objetos assim foram registrados em pinturas, esculturas e mosaicos greco-romanos. Diferente das luvas usadas atualmente, que cobrem toda a mão, o par é formado por faixas de couro acolchoadas, lembrando mais uma luva de MMA. 

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O Boxeador de Quirinal, bronze grego do século 4 a.C., no Museu de Taranto, Roma / Wikimedia Commons

CONFORTO PRESERVADO

Segundo os descobridores, do Vindolanda Charity Fund, ONG responsável pelas escavações e visitas guiadas ao Forte Vindolanda, na base da muralha, as luvas têm design confortável e protegem bem os dedos. Elas são recheadas de fibras naturais, responsáveis por absorver o impacto. Ainda se encaixam perfeitamente em uma mão humana. Uma delas até preserva a impressão das articulações do antigo boxeador.

Segundo a arqueóloga Patricia Birley, que comandou as pesquisas, encontrar um objeto real que já foi documentado em diversas fontes é uma experiência única: "Nós aprendemos muito mais dessa forma. Uma das luvas, por exemplo, foi restaurada. Seu dono queria continuar utilizando-a, então fez de tudo para repará-la. É esse toque humano que temos quando encontramos um objeto real".

As buscas arqueológicas realizadas na região onde as luvas foram encontradas revelaram outros objetos deixados pelos romanos há cerca de 2.000 anos, como espadas completas, consideradas muito raras. Os objetos estavam escondidos sob um chão de concreto, por isso se mantiveram preservados ao longo do tempo. A falta de oxigênio preveniu materiais como o couro e a madeira de se decompor.

TATARAVÔ DO BOXE

Na Antiguidade clássica, a luta com os punhos era parte dos eventos olímpicos. Os gregos a chamavam de pygmachia ("luta de punhos"), enquanto os romanos preferiam chamá-la pelo nome da luva, caestus ("cesto"). As regras eram simples: só valiam golpes com as mãos fechadas, não podia agarrar ou cutucar os olhos do inimigo. Não havia ringue nem rounds, e a luta só terminava quando um lado caísse ou desistisse.

O achado sugere que os soldados romanos praticavam boxe por diversão ou talvez um exercício.

Letícia Yazbek


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